Os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) preveem investir 70 milhões de dólares (60 milhões de euros) na aquisição de locomotivas e mais de 400 vagões, através de financiamentos bancários já aprovados.
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O financiamento foi negociado com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que disponibilizou 40 milhões de dólares (34 milhões de euros), e com o Standard Bank da África do Sul, responsável pelos restantes 30 milhões de dólares (26 milhões de euros), conforme descreve uma informação da empresa, sobre a aprovação das contas de 2025.
Os recursos destinam-se à aquisição de 10 locomotivas e 420 vagões para reforçar a capacidade de transporte ferroviário, empréstimo pelo qual os CFM vão pagar, semestralmente, 3,89 milhões de dólares (3,3 milhões de euros), ao longo de um período de reembolso de cerca de 18 anos, segundo as condições do financiamento descritas no relatório.
O documento indica que os investimentos executados pelos CFM em 2025 atingiram 3.254 milhões de meticais (50,4 milhões de euros), correspondendo a 58% do orçamento aprovado para o exercício.
Entre os principais projetos em curso estão a duplicação e modernização da linha de Ressano Garcia, a aquisição de material circulante, a implementação de sistemas ferroviários de telecomunicações, a reabilitação de infraestruturas portuárias e a modernização das instalações de Nacala e Beira.
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Os investimentos em curso pelos CFM ascendiam a 6.474 milhões de meticais (100,3 milhões de euros) no final de 2025.
A empresa mantém igualmente um dos maiores programas ferroviários do país, a reabilitação da linha de Machipanda, avaliada em cerca de 146 milhões de dólares (125 milhões de euros), financiada principalmente pelo Standard Bank, BCI e Absa.
O relatório destaca ainda a aposta da empresa na indústria de petróleo e gás através da subsidiária CFM Logistics, criada em 2023 com a missão específica de apoiar o desenvolvimento e materialização de projetos de petróleo e gás em Moçambique, prestando serviços de logística e procurando posicionar-se como “actor incontornável na solução de logística na indústria de Oil & Gas em Moçambique”.
Segundo os CFM, os projetos da Bacia do Rovuma têm potencial para “transformar a economia moçambicana”, cabendo à empresa captar as oportunidades de negócio geradas pelo setor, designadamente através da construção e operação de infraestruturas portuárias, prestação de serviços marítimos e logísticos e participação no transporte associado à indústria de gás natural liquefeito (LNG).
A empresa sustenta ainda que o seu envolvimento nestes projetos permitirá promover o conteúdo local, gerar novas receitas, criar emprego, reforçar a participação de empresas moçambicanas na cadeia de valor do petróleo e gás e diversificar as áreas de negócio dos CFM.
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Os CFM são uma empresa pública detida integralmente pelo Estado moçambicano e responsável pela gestão de parte significativa das infraestruturas ferroviárias e portuárias do país. A empresa explora diretamente as linhas férreas de Ressano Garcia, Limpopo e Goba, na região sul, o sistema ferroviário da Beira, na região centro, bem como os portos de Nacala, Pemba e Quelimane e diversos terminais especializados.
Paralelamente, a empresa opera num modelo que combina gestão direta e concessões atribuídas a operadores privados em vários sistemas ferro-portuários, incluindo os corredores de Maputo, Beira e Nacala, mantendo ainda participações em diversas sociedades ligadas à atividade logística e portuária.