O Ministério Público (MP) está a realizar buscas, esta quarta-feira, na unidade de apoio técnico da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de uma denúncia feita contra o diretor Carlos Cabreiro relacionada com alegadas escutas ilegais no processo Football Leaks.
A notícia é avançada pelo Expresso, que cita fontes judiciais, dando conta que as buscas estarão relacionadas com o processo que envolve o hacker português, Rui Pinto.
O mesmo meio refere os procuradores estarão a tentar encontrar os registos que provam que foi feita uma escuta ilegal a Aníbal Pinto, que representava Rui Pinto, durante um encontro com representantes da Doyen numa área de serviço em Oeiras.
Num comunicado enviado às redações, a Judiciária confirmou a realização de "diligências processuais nas suas instalações, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público".
"A PJ colaborou com as autoridades judiciárias, prestando todo o apoio necessário ao normal desenvolvimento das diligências", acrescentou, notando que "esta Polícia não fará, nesta fase, outros comentários".
Já num comunicado enviado à Lusa, a PGR adiantou que "as diligências de buscas e apreensão em curso [...] visam a recolha de elementos probatórios tendentes a confirmar ou informar os factos constantes da denúncia que deu origem ao inquérito". Refere ainda que o processo "não tem arguidos constituídos".
De recordar que o coordenador da PJ, David Freitas, acusou vários elementos da PJ, incluindo o atual diretor nacional, de abuso de poder e de prestarem falsas declarações em tribunal, tendo enviado uma denúncia ao procurador-geral da República.
Segundo noticiou a CNN Portugal, o coordenador foi transferido para a Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAT) em junho do ano passado. Foi na UPAT que descobriu ficheiros sobre a alegada operação sigilosa ilegal da PJ.
Saliente-se também que, após apresentar a denúncia, David Freitas foi transferido para a Escola da Polícia Judiciária, tendo-lhe também sido instaurado um processo disciplinar.
Por sua vez, numa resposta enviada à Lusa no dia em que se tornou pública a denúncia, em agosto, o gabinete de comunicação da PJ afirmou que Carlos Cabreiro "mantém todas as declarações proferidas em tribunal, não tendo enunciado qualquer declaração que não corresponda à verdade".
Note-se que, na altura dos acontecimentos, Carlos Cabreiro era diretor da unidade de combate ao cibercrime da PJ.
A queixa apresentada está relacionada com processo Football Leaks e admite que terão sido feitas escutas sem autorização de um juiz, tendo o atual diretor da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, dito em tribunal, durante o julgamento, que não foram feitas escutas no terreno.
Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligado ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
[Notícia atualizada às 13h15]

Diretor da PJ nega ter mentido em tribunal no processo Football Leaks
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, mantém todas as declarações feitas em tribunal no âmbito do processo Football Leaks, depois de ter sido acusado de mentir sobre a realização de escutas não autorizadas.
Lusa | 18:18 - 27/08/2026