Nações Unidas preparam possível presença no Líbano após fim de missão

"A situação no Líbano é instável, mas a questão principal, para mim, é que a presença da FINUL [Força Interina das Nações Unidas no Líbano] está prestes a terminar no final deste ano. A pedido do Conselho de Segurança, estão a ser estudadas opções", disse Jean-Pierre Lacroix.

Essas opções incluem a "presença de observadores militares com o objetivo de observar, monitorizar, reportar, estabelecer ligações e assegurar a redução das tensões, juntamente com a presença de pessoal militar" para proteger os observadores, acrescentou.

Falando com um grupo de jornalistas em Bruxelas, incluindo a Lusa, o subsecretário-geral das Nações Unidas para as Operações de Manutenção da Paz apontou que, "na realidade, não se trata simplesmente de uma missão depois da FINUL", já que "o mandato é diferente".

A missão da ONU no Líbano foi criada em 1978 e reforçada após a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, ao abrigo da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, visando monitorizar a cessação das hostilidades, apoiar o Exército libanês na extensão da autoridade do Estado ao sul do país e contribuir para a estabilidade ao longo da fronteira com Israel.

Ao longo dos anos, teve mandato para reduzir as tensões entre as partes e prestar apoio humanitário à população civil, mas a sua presença só está salvaguardada até final de 2026, levando a ONU e o Conselho de Segurança a considerar possíveis modelos para uma presença posterior, nomeadamente através de observadores militares e de capacidades de apoio.

"Considero que o Líbano necessita de muito apoio, pelo que é obviamente muito importante que esse apoio seja prestado de forma a garantir a máxima complementaridade, valor acrescentado e articulação entre as várias componentes. Isto serve apenas para evitar duplicações e sobreposições numa altura em que os recursos são, obviamente, limitados", salientou Jean-Pierre Lacroix.

O futuro da missão dependerá da evolução da situação de segurança e política no terreno e das decisões do Conselho de Segurança sobre a continuidade de uma presença da ONU no país.

"No que nos diz respeito, a transição da UNIFIL para, potencialmente, outra forma de presença - dependendo da decisão do Conselho de Segurança - ou para a ausência de qualquer presença ocorrerá no final do ano. Penso que, quanto mais cedo tivermos a decisão final - não só uma decisão do Conselho de Segurança, mas também uma decisão da UE sobre, como sabem, os próximos passos -, melhor será, na minha opinião", defendeu o responsável.

E reforçou: "Preferiríamos ter uma decisão antecipada em vez de uma decisão tardia. "Se a decisão for tomada cedo, isso ajudar-nos-á a preparar a transição".

Jean-Pierre Lacroix adiantou que "se a decisão for tomada tarde, o próprio Conselho de Segurança terá de prever algum tipo de transição".

O responsável lamentou ainda que, só este ano, já se tenham registado sete mortes de capacetes azuis na atual missão, lembrando que "existe uma obrigação internacional de respeitar a segurança e a integridade dos elementos das operações de manutenção da paz".

Em causa estão incidentes no final de março de 2026 e novos ataques registados em junho de 2026 no sul do Líbano.

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