O Governo está a criar um sistema de monitorização contínua do estado das infraestruturas que recorre, entre outras tecnologias, a imagens por satélite. “Não podemos continuar a ignorar a exposição do nosso país a fenómenos sísmicos”, afirmou o Ministro Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que está a ser ouvido na Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
EscolherApós as tempestades do final de janeiro, o Governo pediu ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) uma avaliação do estado das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias. O secretário de Estado das Infraestruturas Espírito Santo, revelou que já foram feitas 54 inspeções e que o LNEC tem enviado relatórios regulares ao Governo. A Infraestruturas de Portugal fez a inspeção a 1400 obras de arte, acrescentou.
Respondendo ao pedido para que a informação seja partilhada com os deputados, Miguel Pinto Luz assinalou que se trata de informação sensível, que incluiu vulnerabilidades em estradas e pontes, apelando a que sejam definidos os moldes em que os relatórios serão disponibilizados. “É informação que não pode ser tornada pública completamente”, realçou.
“Não ficámos pelo despacho do LNEC. Estamos a criar um sistema que não viva de despachos, mas garanta a monitorização ad continum e não só quando há despachos“, afirmou o ministro das Infraestruturas. Um sistema que utilizará também informação recolhida por satélite, referiu. Em resposta aos deputados, Miguel Pinto Luz adiantou ainda que o relatório sobre o estado das infraestruturas críticas será apresentado entre o final deste mês e o início do próximo.
“Não podemos continuar a ignorar a exposição do nosso país a fenómenos sísmicos. Estamos a apostar num sistema de fiscalização moderno e na utilização de novas tecnologias. Na utilização de cabos submarinos inteligentes, uma fonte de informação e monitorização poderosa”, afirmou o ministro na sua intervenção inicial.
As nossas casas têm problemas. Temos milhares de casas em risco potencial se se repetir um sismo como o de 1775.
Também na habitação haverá medidas. “As nossas casas têm problemas. Temos milhares de casas em risco potencial se se repetir um sismo como o de 1775”, assinalou o ministro. “Há regiões do país que têm mais risco. Trás os Montes e o interior têm menos risco que a região de Lisboa”, acrescentou.
As medidas passam também por aumentar a redundância das redes de comunicações (fixa, móvel e rádio hertziana), o reforço das obrigações de continuidade de negócio e resiliência energética, bem como da revisão das normas de resistência estrutural das infraestruturas de telecomunicações, disse Miguel Pinto Luz.
Anunciado pelo Governo em fevereiro na sequência das fortes tempestades que assolaram a região centro, o PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência foi aprovado em junho de 2026 e prevê um investimento total de 22,6 mil milhões de euros, em grande parte financiados pelo Orçamento do Estado, dinheiro privado e fundos europeus.
O plano inclui a reconstrução de casas atingidas pelas tempestades, apoios para habitação e infraestruturas em territórios de baixa densidade, prevenção do risco sísmico, um sistema nacional e alojamento de emergência. O programa cobre ainda a reconstrução de infraestruturas danificadas pelas tempestades e uma Estratégia Nacional para as Infraestruturas Críticas.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.