Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) elaboraram uma nota técnica com recomendações para o planejamento e a execução de obras após as chuvas extremas que atingiram Juiz de Fora e outros municípios da Zona da Mata, em fevereiro de 2026. O documento propõe a atualização dos critérios utilizados para estimar precipitações intensas, vazões máximas, níveis de rios, velocidade de escoamento e áreas sujeitas a inundações.

O objetivo é oferecer embasamento científico ao poder público, às construtoras e aos profissionais responsáveis pela reconstrução das regiões afetadas. Segundo os pesquisadores, os projetos de infraestrutura precisam considerar as mudanças nos padrões de chuva e o agravamento das cheias para reduzir o risco de novas perdas humanas, materiais e econômicas.
Em Juiz de Fora, o desastre provocado pelas chuvas deixou 66 mortos, mais de 8.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas e cerca de 2 mil moradias totalmente destruídas. A tragédia, considerada a maior já registrada no município, também atingiu cidades como Matias Barbosa e Ubá.
De acordo com especialistas, as inundações e os deslizamentos de terra foram resultado da combinação entre chuvas de grande intensidade, ocupação de áreas suscetíveis a desastres e vulnerabilidade social. Juiz de Fora passa agora pelo processo de reconstrução das áreas atingidas.
Critérios recomendados
A nota técnica foi elaborada pelo professor da UFJF Celso Bandeira e pelos estudantes Sumáya Neves, Eduarda Filgueiras e João Pedro Tanaka. O documento reúne critérios destinados a orientar novos projetos de engenharia, o dimensionamento de obras de infraestrutura e as ações de prevenção e adaptação diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.
Uma das recomendações é a utilização de séries históricas de precipitação e vazão, considerando o maior período de registros disponível. Os pesquisadores também defendem que os projetos tenham como referência o episódio mais severo efetivamente observado, mesmo que a frequência estimada desse evento não corresponda aos intervalos de recorrência tradicionalmente adotados pela engenharia.
A análise deve considerar ainda os cenários de mudanças climáticas, incluindo o possível aumento da intensidade e da frequência dos eventos extremos. Outro critério indicado é a compatibilização dos parâmetros hidrológicos com o zoneamento urbano estabelecido no Plano Diretor mais recente do município.
A proposta é que as obras sejam planejadas com base em condições climáticas atuais e futuras, evitando que estruturas sejam dimensionadas para volumes de chuva inferiores aos que podem atingir a cidade.
Mudanças climáticas
A nota foi produzida por pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) e ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (Desa) da UFJF. O trabalho tem como foco a adaptação às mudanças climáticas, principalmente em relação às chuvas intensas e às cheias extremas em Juiz de Fora.
O aquecimento global aumenta a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água, condição que pode elevar a ocorrência de tempestades intensas. Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a revisão dos parâmetros utilizados em obras e políticas de ordenamento territorial.
Segundo o estudo, a adoção dos critérios propostos pode ampliar a capacidade de resposta do município, tanto na execução de obras de infraestrutura quanto na organização de medidas de prevenção, adaptação e redução de danos.
Os pesquisadores alertam que desconsiderar os efeitos das mudanças climáticas pode resultar em projetos de engenharia subdimensionados, incapazes de suportar eventos extremos associados às condições atuais e futuras do clima.
Prejuízos econômicos
O documento também destaca a necessidade de planejamento para evitar novas perdas humanas e econômicas. As inundações são apontadas como a principal causa de prejuízos econômicos na bacia do Rio Paraíba do Sul, com impactos sobre a infraestrutura, as atividades produtivas, os serviços públicos e a dinâmica socioeconômica regional.
Registros históricos indicam que os prejuízos associados a danos materiais e à interrupção de atividades públicas e privadas ultrapassaram R$ 2,65 bilhões entre 1995 e 2025.
Por se tratar de uma área em constante desenvolvimento científico e tecnológico, os autores ressaltam que os parâmetros apresentados devem ser considerados referências passíveis de revisão. As recomendações poderão ser atualizadas à medida que novos estudos, bases de dados e cenários climáticos mais consistentes estiverem disponíveis.
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Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe