Nota técnica da UFJF propõe novos critérios para obras após chuvas extremas em Juiz de Fora

Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) elaboraram uma nota técnica com recomendações para o planejamento e a execução de obras após as chuvas extremas que atingiram Juiz de Fora e outros municípios da Zona da Mata, em fevereiro de 2026. O documento propõe a atualização dos critérios utilizados para estimar precipitações intensas, vazões máximas, níveis de rios, velocidade de escoamento e áreas sujeitas a inundações.

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Deslizamento no Bairro Progresso, em Juiz de Fora (Foto: Felipe Couri)

O objetivo é oferecer embasamento científico ao poder público, às construtoras e aos profissionais responsáveis pela reconstrução das regiões afetadas. Segundo os pesquisadores, os projetos de infraestrutura precisam considerar as mudanças nos padrões de chuva e o agravamento das cheias para reduzir o risco de novas perdas humanas, materiais e econômicas.

Em Juiz de Fora, o desastre provocado pelas chuvas deixou 66 mortos, mais de 8.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas e cerca de 2 mil moradias totalmente destruídas. A tragédia, considerada a maior já registrada no município, também atingiu cidades como Matias Barbosa e Ubá.

De acordo com especialistas, as inundações e os deslizamentos de terra foram resultado da combinação entre chuvas de grande intensidade, ocupação de áreas suscetíveis a desastres e vulnerabilidade social. Juiz de Fora passa agora pelo processo de reconstrução das áreas atingidas.

Critérios recomendados

A nota técnica foi elaborada pelo professor da UFJF Celso Bandeira e pelos estudantes Sumáya Neves, Eduarda Filgueiras e João Pedro Tanaka. O documento reúne critérios destinados a orientar novos projetos de engenharia, o dimensionamento de obras de infraestrutura e as ações de prevenção e adaptação diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.

Uma das recomendações é a utilização de séries históricas de precipitação e vazão, considerando o maior período de registros disponível. Os pesquisadores também defendem que os projetos tenham como referência o episódio mais severo efetivamente observado, mesmo que a frequência estimada desse evento não corresponda aos intervalos de recorrência tradicionalmente adotados pela engenharia.

A análise deve considerar ainda os cenários de mudanças climáticas, incluindo o possível aumento da intensidade e da frequência dos eventos extremos. Outro critério indicado é a compatibilização dos parâmetros hidrológicos com o zoneamento urbano estabelecido no Plano Diretor mais recente do município.

A proposta é que as obras sejam planejadas com base em condições climáticas atuais e futuras, evitando que estruturas sejam dimensionadas para volumes de chuva inferiores aos que podem atingir a cidade.

Mudanças climáticas

A nota foi produzida por pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PEC) e ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (Desa) da UFJF. O trabalho tem como foco a adaptação às mudanças climáticas, principalmente em relação às chuvas intensas e às cheias extremas em Juiz de Fora.

O aquecimento global aumenta a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água, condição que pode elevar a ocorrência de tempestades intensas. Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a revisão dos parâmetros utilizados em obras e políticas de ordenamento territorial.

Segundo o estudo, a adoção dos critérios propostos pode ampliar a capacidade de resposta do município, tanto na execução de obras de infraestrutura quanto na organização de medidas de prevenção, adaptação e redução de danos.

Os pesquisadores alertam que desconsiderar os efeitos das mudanças climáticas pode resultar em projetos de engenharia subdimensionados, incapazes de suportar eventos extremos associados às condições atuais e futuras do clima.

Prejuízos econômicos

O documento também destaca a necessidade de planejamento para evitar novas perdas humanas e econômicas. As inundações são apontadas como a principal causa de prejuízos econômicos na bacia do Rio Paraíba do Sul, com impactos sobre a infraestrutura, as atividades produtivas, os serviços públicos e a dinâmica socioeconômica regional.

Registros históricos indicam que os prejuízos associados a danos materiais e à interrupção de atividades públicas e privadas ultrapassaram R$ 2,65 bilhões entre 1995 e 2025.

Por se tratar de uma área em constante desenvolvimento científico e tecnológico, os autores ressaltam que os parâmetros apresentados devem ser considerados referências passíveis de revisão. As recomendações poderão ser atualizadas à medida que novos estudos, bases de dados e cenários climáticos mais consistentes estiverem disponíveis.

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Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe