Paula Gama: Nova gasolina: por que abastecer com etanol passou a valer mais a pena

A explicação está na quantidade de energia que cada combustível consegue fornecer durante a combustão. O etanol tem menor conteúdo energético por litro do que a gasolina. Dados de referência utilizados pelo Ministério de Minas e Energia apontam cerca de 32,24 megajoules por litro para a gasolina e 22,36 MJ/l para o etanol.

Em termos simples: um litro de etanol consegue fornecer menos energia ao motor do que um litro de gasolina. É por isso que carros flex normalmente percorrem menos quilômetros por litro quando abastecidos com etanol.

"Para você ter a mesma energia, precisa colocar mais álcool do que colocaria de gasolina", explica Borini. Até aí, nada de novo. É justamente dessa diferença que nasceu a famosa regra dos 70%.

Mais etanol dentro da gasolina

A gasolina vendida ao consumidor brasileiro não é 'pura'. Ela recebe obrigatoriamente etanol anidro - e essa participação vem aumentando. Em agosto de 2025, a mistura passou de E27 para E30. Agora, a gasolina comum avançou para E32: a cada litro comprado no posto, 320 ml correspondem a etanol anidro.

Como o etanol tem menor conteúdo energético, elevar sua participação reduz também a quantidade de energia disponível em cada litro da mistura final.

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É isso que desloca a conta a favor do etanol hidratado vendido separadamente na bomba. "Se chegar no posto e o etanol estiver a 70% do preço da gasolina, antes era tanto faz. Agora não é mais tanto faz. Agora vale mais a pena colocar etanol", afirma Borini.

Pela conta baseada no conteúdo energético dos combustíveis, a referência da E32 fica próxima de 78%.

Se a gasolina custar R$ 6,50 por litro, por exemplo, 78% correspondem a R$ 5,07. Assim, por esse critério, o etanol ainda seria competitivo até aproximadamente esse preço. Com gasolina a R$ 6,80, o limite subiria para cerca de R$ 5,30.

Então a nova regra é 78%?

Não exatamente. Os 78% servem como uma referência teórica para mostrar como a mudança da composição da gasolina alterou a relação entre os combustíveis. Assim como os antigos 70%, porém, o número não consegue representar perfeitamente todos os carros flex.

Isso porque não é apenas o poder calorífico que determina quantos quilômetros um veículo consegue percorrer com cada litro. Projeto do motor, taxa de compressão, calibração e capacidade de aproveitar as características do etanol também interferem no resultado.

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Para saber com mais precisão o ponto de equilíbrio de um carro específico, o motorista pode comparar o consumo real com os dois combustíveis.

Um veículo que faça 8 km/l com etanol e 11 km/l com gasolina, por exemplo, apresenta uma relação de 72,7%. Nesse caso, o etanol passa a compensar quando custa menos de aproximadamente 73% do preço da gasolina.

A E32, portanto, não simplesmente substitui a "regra dos 70%" por uma "regra dos 78%". Ela mostra por que aquela velha referência ficou ainda mais defasada. E cria uma situação curiosa para o combustível vegetal.

"Na prática, o etanol ganha duas vezes", diz Borini. "A gente vai consumir mais colocando na mistura e também porque ele fica mais vantajoso."

Reportagem

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