Novo aeroporto de Lisboa pode custar até 8,9 mil milhões. Será servido por comboio rápido em 20 minutos e 250 km de novas vias

O novo aeroporto de Lisboa vai ser servido por shuttle ferroviário que chegará por um túnel de 5 quilómetros ligado à futura linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Esta solução vai garantir um tempo de percurso de 20 minutos até à capital, através da terceira travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro.

As acessibilidades envolvem ainda a construção de 250 quilómetros de novas estradas, incluindo a terceira travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro, e requalificação de outros 50 quilómetros de vias rodoviárias.

Linha de alta velocidade Lisboa-Madrid vai ter desvio para servir novo aeroporto com comboios até 200 km/hora

Estes são alguns dos detalhes do projeto cujo relatório técnico foi apresentado esta quarta-feira pela concessionária ANA, numa sessão realizada no Centro Cultural de Belém onde foram reveladas as primeiras imagens e vídeos do que virá a ser o aeroporto Luís de Camões. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, prometeu transparência no processo e defendeu o consenso que é o mais importante para o avanço deste projeto. “O consenso dos portugueses e das portuguesas que estavam fartos de continuar a não rematar à baliza. Agora estamos a rematar coletivamente”.

De acordo com o documento entregue pela ANA ao Governo na passada sexta-feira, o investimento no novo aeroporto irá oscilar entre os 7,9 e os 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024. O financiamento é da responsabilidade da ANA que irá propor um modelo no relatório financeiro a entregar ao Estado em janeiro de 2027. Esse modelo vai incluir capitais próprios, dívida, mas também os meios financeiros da operação aeroportuária, o que inclui as taxas cobradas às companhias aéreas.

O intervalo de valores que consta do relatório técnico exclui os custos das acessibilidades e de outras infraestruturas que são responsabilidade do Estado. Entre estes está a terceira travessia do Tejo e a ligação ferroviária ao novo aeroporto cujos montantes ainda não são conhecidos. 

Governo pondera nova mega concessão para todas as travessias do Tejo em Lisboa, mas faltam estudos sobre Algés-Trafaria

Segundo o presidente da Vinci Concessions, Nicolas Notebaert, será um projeto de múltiplas dimensões que “não tem equivalente na Europa Ocidental”.

A construção vai arrancar em 2029 para ficar concluída em 2033, mas será necessário esperar dois anos para que a infraestrutura abra ao público devido à realização de testes e certificações. A inauguração está prevista para 2035, segundo o calendário interativo disponibilizado no site do IMT (Instituto da Mobilidade e Transportes). No relatório inicial de janeiro de 2025, a ANA tinha proposto 2037 como ano de abertura, admitindo uma antecipação para o final de 2036. A concessionária e o Governo garantem que os prazos para esta fase de preparação da proposta estão a ser cumpridos.

O passo mais importante que se segue é a avaliação de impacte ambiental cujo relatório será entregue à Agência Portuguesa do Ambiente no final deste mês. O documento terá 5.000 páginas e é o resultado do trabalho de uma equipa de mais de 250 especialistas, entre engenheiros e engenheiros do ambiente, que estão a colaborar neste projeto. Um esforço desenvolvido em silêncio nos gabinetes que agora fica visível, referiu o presidente da ANA, José Luís Arnaut.

O Luís de Camões e a cidade aeroportuária que o vai servir irão ocupar uma área de 6.500 hectares nos concelhos de Benavente e Montijo, o que suscitou um comentário em tom de brincadeira do presidente executivo da ANA. A “geografia foi mais teimosa do que o concessionário”, disse Thierry Ligonnière numa referência à escolha da localização do Campo de Tiro de Alcochete em detrimento da solução defendida pela ANA para a base aérea do Montijo. Afinal, a área apontada para o futuro do aeroporto vai apanhar uma parte do concelho do Montijo, e não Alcochete. No total, o projeto vai impactar 11 concelhos da área metropolitana de Lisboa.

Com capacidade para 56 milhões de passageiros no ano de abertura, o aeroporto pode vir a receber até 85 milhões de passageiros. A infraestrutura contará com duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque e 72 pontes de embarque em contacto. O terminal de passageiros terá 500.000 metros quadrados.

A par do aeroporto, o Governo está a avaliar as infraestruturas de apoio que terão de ser construídas e disponibilizadas. Além dos acessos rodoviários e ferroviários, contam-se os sistemas de abastecimento de combustíveis, via pipeline (estão a ser estudadas três opções), de eletricidade, de telecomunicações e de água (com especial foco na proteção do aquífero que fica por debaixo do novo aeroporto, garantiu o secretário de Estado das Infraestruturas).

Hugo Espírito Santo destacou ainda a reestruturação do espaço aéreo sobre a Grande Lisboa que está a ser trabalhada com a NAV e a ANAC (regulador) e a desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete que terá de acontecer até 2028. Anunciou também um investimento de 30 milhões de euros na base aérea do Montijo para operar voos do Estado.

O presidente executivo da ANA, Thierry Ligonnière, aproveitou ainda para fazer um ponto de situação dos projetos de expansão para outros aeroportos nacionais, como os Açores, Funchal, Faro e Porto, para além dos dois projetos de melhoria e reforço da capacidade no aeroporto Humberto Delgado em Lisboa.