Esta semana, Portugal deu mais um passo rumo ao maior projeto de infraestruturas do país das últimas décadas. A ANA - Aeroportos de Portugal e a Vinci Airports mostraram, finalmente, o rosto do futuro Aeroporto Luís de Camões, a nova porta de entrada aérea de Lisboa. Já são conhecidos números, prazos e imagens.
Um projeto sem paralelo na Europa Ocidental
A apresentação, batizada "Expansão e modernização do sistema aeroportuário nacional: ligar Portugal ao Mundo", aconteceu esta quarta-feira no Centro Cultural de Belém, onde a ANA entregou o terceiro relatório técnico do processo, depois do relatório de consultas (2025) e do estudo ambiental preliminar (início de 2026).
Segundo o Observador, Nicolas Notebaert, presidente da Vinci Concessions e da Vinci Airports, garantiu que não existe atualmente nenhum projeto de infraestrutura com esta dimensão em toda a Europa Ocidental.

Onde vai nascer e que capacidade terá
O novo aeroporto vai ocupar o Campo de Tiro de Alcochete, entre os concelhos de Benavente e Montijo. O Observador acrescenta que a área de intervenção ronda os 6500 hectares, incluindo, além das pistas, uma verdadeira "cidade aeroportuária" com infraestruturas próprias de água, combustível e telecomunicações.
Segundo Thierry Ligonnière, presidente executivo da ANA, numa referência ao facto de o Governo ter optado pelo Campo de Tiro de Alcochete em vez da solução defendida pela entidade que ele lidera, na base do Montijo, "a geografia foi mais teimosa do que o concessionário".
De acordo com a Euronews, o projeto prevê, na fase inicial:
- 2 pistas;
- 64 portas de embarque e 72 pontes de embarque em contacto;
- Um terminal de passageiros com cerca de 500 mil m2;
- Capacidade para 56 milhões de passageiros por ano logo na abertura, com margem de crescimento até 85 milhões.
Ainda segundo a mesma fonte, o edifício foi desenhado para ser de emissões zero, apostando em critérios de sustentabilidade ambiental e em tecnologia orientada para a otimização das operações e para a experiência do passageiro.

Quanto vai custar e quando abre
O investimento está balizado entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, num valor ligeiramente inferior ao inicialmente avançada pela ANA em janeiro de 2025, de 8,5 mil milhões de euros, valor que na altura o Governo considerou excessivo.
Quanto ao calendário, a imprensa presente no evento refere que a concessionária aponta para uma abertura em 2037, com o Governo a pretender antecipar o prazo para 2035, e a construção a decorrer entre 2029 e 2034.
Antes disso, há ainda etapas decisivas a cumprir:
- Até ao final de julho a ANA entrega o Estudo de Impacte Ambiental (um documento com cerca de 5000 páginas) à Agência Portuguesa do Ambiente;
- Em janeiro de 2027 segue-se o relatório financeiro, com o modelo de financiamento;
- A candidatura completa deverá ficar fechada em janeiro de 2028.
Como se vai chegar ao novo aeroporto
Ao nível dos acessos, o Observador destaca a futura ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e o aeroporto, que permitirá um tempo de viagem de cerca de 20 minutos através da Terceira Travessia do Tejo, reduzindo também a distância a Madrid e a Faro.
O secretário de Estado das Infraestruturas Espírito Santo, citado pela mesma fonte, adiantou ainda que estão previstas dezenas de quilómetros de novas estradas, a expansão do Metro Sul do Tejo e o futuro túnel Algés-Trafaria.

Sobre o Humberto Delgado
Segundo dados apresentados na sessão, o atual aeroporto de Lisboa vai continuar a receber reforços de capacidade enquanto o novo não abre: dos atuais 38 movimentos por hora, deverá subir para 40 em 2029 e 42 em 2031.
Estão ainda previstas a ampliação do Terminal 1, uma nova placa de estacionamento e a expansão do Terminal 2. Quando a atual infraestrutura encerrar, dará lugar a um Museu Aeroportuário, com uma nova torre de controlo a nascer na fronteira entre Lisboa e Loures.
Já a Base Aérea do Montijo vai receber um investimento de 30 milhões de euros, prevendo-se a transferência total das operações do Aeródromo Militar de Lisboa para lá até ao final de 2028.
Está também prevista a desmilitarização do Campo de Tiro de Alcochete, com um investimento adicional de 4,5 milhões de euros já aprovado.
Por fim, há novidades sobre o novo aeroporto
Depois de anos de indecisão, Portugal parece finalmente encaminhado para ter um novo aeroporto internacional à altura das suas ambições turísticas e económicas.
Por resolver continua a negociação entre o Governo e a ANA sobre alterações ao contrato de concessão: a concessionária propôs estender o prazo de 2062 para 2092 e aumentar as taxas aeroportuárias entre 2026 e 2030 (inflação mais 9,8% ao ano), condições que o Executivo contesta, chegando a admitir resgatar a concessão caso não haja entendimento.