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Casa Pia zero, Benfica sete. Jogo da segunda jornada do nosso campeonato e Gabriel Alves com uma goleada atípica que poderia ter sido de muita felicidade, mas que acaba por revelar também alguma da fragilidade do nosso futebol. Ainda assim, Benfica bem, eficaz, depois de uma primeira parte onde o jogo começou até com um Casa Pia que parecia algo atrevido. Mal o Benfica começou a chegar aos gols, sobretudo na segunda parte, o jogo mudou de cariz e nunca esteve longe de uma vitória do Benfica, que depois começou a ganhar uma expressão que parecia que não ia acabar, parecia que ia continuar a marcar gols até o final do jogo.
Uma estratégia do Casa Pia para um jogo em que é uma estratégia negativa. Sendo a equipe que é, constituída por jogadores que tem, não pode ter uma estratégia desta tipologia, obviamente. Eu não estou a dizer para fazer antijogo, para ser uma equipe cá atrás, atrás da liga e da bola. Não, tem que ter uma equipe devidamente explanada no terreno, acima de tudo, onde a disciplina tática e a concentração competitivas têm que ter um aspecto e uma vertente altamente eficaz, de molde a poder, obviamente, suster ou tentar dificultar, pelo menos em maior quantidade e qualidade, aquilo que é o maior valor do adversário. Para o Benfica, obviamente, que é um jogo que começa bem, que começa com, eu diria, quase um autogol da equipe, embora o gol tivesse sido atribuído a Prestián, o que é muito bom arrancar, mais a mais vindo da pressão do empate. Estamos na liga, estamos naquilo que é a competição principal, que os candidatos ao título, obviamente, em Portugal e em qualquer parte do mundo, querem estar logo de princípio no ponto alto para poderem discutir passo a passo, ponto a ponto, esse título, e já tendo jogado os outros dois candidatos e tendo vencido, naturalmente que o Benfica, vindo de empate, queria ganhar este jogo. Enfim, os antecedentes valem o que valem, mas são sempre antecedentes e que acabam por ser muito glosados, dado que os últimos jogos, em termos de campeonato com o Casa Pia, não tinham sido de muita felicidade. Inclusive, a época passada, o Benfica com o empate face à equipe do Casa Pia acabou-
Perdeu o lugar na Champions.
Exatamente. Portanto, tudo isto, não sendo importante, tem o seu condicionamento e tem, naturalmente, em termos mentais, porque nós não podemos esquecer que a parte mental, somos pessoas, são pessoas, entra nessa-
Nas contas do jogo, no final.
Nas contas do jogo. De resto, o que me parece aqui importante, mesmo frente a este Casa Pia, que quis discutir o jogo e o resultado, nada contra, só que não tem a capacidade para eu poder fazer face ao Benfica, e o Benfica mostrou a sua superioridade, aliás, o resultado é esse. Agora, o Benfica tem uma estratégia de futebol ofensivo e obviamente que hoje mostrou intensidade, mostrou ritmo, mostrou nessa estratégia as boas combinações e os bons movimentos que saem desse seu futebol, em que tem um futebol em que é largo, embora não sendo do lado direito tão largo como é do lado esquerdo, mas aí a ação do lateral é uma ação extremamente importante. Bá, que é agora o lateral direito que o Benfica tem mais à titularidade, é importante, dado que Rafa joga mais interior. Rafa não é um extremo direito, e muito bem.
E Marques lo mencionou isso, que já não está em condição de fazer o jogo.
Não, é um jogador mais de interior, onde obviamente as combinações com o ponta de lança são fundamentais e com o meio-campo. Obviamente, não é só com o ponta de lança, é o jogo que vem de trás para adiante, em que ele faz essa ligação entre linhas e há um dos gols que é exatamente dentro dessa-
E desse jogo sai também, talvez, cada vez mais feliz e produtiva parceria entre Rafa e Pavlídis, que fazem aqui um hat-trick.
Eles estão, de fato, muito bem. Essas combinações e movimentos em que o Benfica consegue e naturalmente tira partido para acertar. Depois, há a questão do passe, da condução do jogo, o domínio, as reações à perda da bola, o que é o passe longo, o que é o passe curto. Tudo isso o Benfica hoje teve hipótese e teve, portanto, pormenor de executar, até porque a equipe do Casa Pia, no meio-campo, não ofereceu resistência. Portanto, o Benfica pôde fazer, tendo outra equipe, um trabalho de exercício extremamente interessante. Nunca perdendo. Por a equipe adversária ser uma equipe que deu espaço, uma equipe que cometeu erros, o Benfica nunca perdeu a concentração, nunca perdeu aquilo que é a disciplina tática. De tal maneira que tem na segunda parte dois gols que são dois erros da equipe adversária, ali na zona do meio-campo, extremamente bem aproveitados. Quanto à questão defensiva do Benfica, há que referir que o seu meio-campo e a sua defesa, e tudo aquilo que é o completo do conjunto, não foram postos à prova devidamente pela formação do Casa Pia. O Casa Pia não conseguiu praticamente entrar no último terço com aquilo que se pode dizer uma estratégia, um jogo largo, um jogo de passe, um jogo de último passe, um jogo de desmarcação do seu ponta de lança. O trabalho do seu ponta de lança que não se viu. Portanto, para poder criar espaço e dar trabalho aos defesas do Benfica, não tiveram esse trabalho. Portanto, o Benfica Se sofrer hoje um golo, e eu percebo, nenhum treinador gosta de sofrer golos. 7x0, mesmo que fosse com outra equipa, sofrer um golo manchava aquilo que o ataque tinha feito. A equipa tem que ter essa qualidade e isso não é Marco Silva. Marco Silva e todos os treinadores ao nível mundial não gostam de sofrer gols. Outro trabalho que me parece que é importante, e isso teve também a situação de se ver, é o trabalho do drible e do controle de jogo. E aí parece que Tiago Dantas é num-para-um, é de fato um jogador extremamente interessante, está numa excelente forma, é um jogador de rapidez, de verticalidade, um jogador de olhos na baliza, com velocidade e acima de tudo a tal situação de um-para-um e capacidade de remate, mas tem que ter mais capacidade de passe, tem que ter mais esclarecimento no passe no último terço. Não pode ser levar tudo à frente. Tem que ter essa capacidade e tem que ter a orientação para poder fazer o passe e até poder fazer aquilo que se chama a triangulação para romper a defesa adversária. Portanto, o Benfica esteve bem, marcou sete gols, foi eficaz. Uma palavra para o ponta de lança colombiano. Faz um bom golo.
Durán.
Durán faz um bom golo. Certamente, sim, já numa fase final do jogo, quando ele entra, provavelmente com mais outros jogadores, a equipa não estava tão oleada, não estava tão integrada. A verdade é que esses jogadores entraram. E entraram para quê? Para também ganharem ritmo de competitividade, também para ganharem estrutura em relação àquilo que é uma época extremamente longa, em que Benfica, Sporting, estou com o Porto, e ponho já aqui o Braga também, são equipas que têm desafios enormes e ainda agora estamos com uma dúzia de jogos oficiais. Isto para já, sendo importante, ainda é a nesga daquilo que vai ser o miolo de uma temporada completa. Duas palavras ou três ainda para as ações individuais. Tiago Dantas, como já me disseste, a situação de um-para-um é forte. Chamar a atenção para Rafa Silva, que é um jogador taticamente com muita cultura, é preciso dizer isto, não só pela velocidade, que se calhar já não é aquela que ele tinha, mas ainda tem alguma e que é importante, é aquilo que ele sabe como a usar, como saber usar essa velocidade, em que momento e em que velocidade tem que dar a velocidade e não ser só sair disparado. E depois Pavlidis que naquilo que é o futebol de costas para a baliza, aquilo que é a visão de que é o futebol na grande área, na sua totalidade e que é no último terço do terreno, e está em relação com Rafa Silva, que é uma combinação, um automatismo muito bom que começa aqui a ter lucro. Pavlidis depois quando chega a hora de ser um matador, é um matador, marca dois gols de pé esquerdo, marca um de pé direito, o que é muito importante marcar com o pé esquerdo, marcar com o pé direito. Uma nota que é preciso dizer. Hoje não foi preciso, hoje isso não foi posto à prova, isso hoje não houve necessidade, é o déficit do futebol aéreo que o Benfica tem. E isso é um fator que pode vir a ser necessário e, naturalmente, é algo que o treinador do Benfica, a equipa técnica, tem isso em mente. Eu não estou a assistir aos treinos, também não podemos ver os treinos todos, mas acho que é um assunto em que Marco Silva e a sua estrutura não deixam isso de barato. Outra situação que também hoje não tivemos a oportunidade de poder ter em grande dimensão é a questão dos lances de bola parada, obviamente, quer os ofensivos, quer os defensivos.
Gabriel Alves, para fecharmos este Casa Pia 0, Benfica 7, jogo da segunda jornada do campeonato, alguém merece a força da técnica?
Sim, Pavlidis. Eu vou destacar, porque de fato marca três gols, cada um com sua concepção, se quer de crescimento, todos eles com grande qualidade técnica e grande esclarecimento tático, grande capacidade mental de frieza. Portanto, aquilo que se diz, um belo jogo para Pavlidis, porque no meio de vários defesas, teve o esclarecimento, teve a capacidade de não perdoar, isto é, de marcar. Só mais duas palavras. Uma para o relvado. Muito bem, Marco Silva. Aliás, é algo que temos aqui debatido. Os relvados portugueses têm que ser melhorados, reciclados, porque são fatores importantes para que haja bom futebol. Quanto ao público, eu estou de acordo, o público é muito importante. É a utopia do futebol, é o público a viver isso. Mas a verdade é que o público também tem que olhar para o público que se porta mal e não permitir que haja público que se porte mal.
Gabriel Alves, a força da técnica analisa o encontro da segunda jornada entre Casa Pia e Benfica, jogou-se em Rio Maior, terminou com a vitória de sete bolas a zero dos encarnados. Um grande abraço, Gabriel Alves. Vamos sempre ouvindo o Gabriel em sede de "O Campeão é" na Rádio Observador e também na força da técnica com a análise aos jogos que aqui, com o seu comentário, com a sua análise, acompanhamos. Um grande abraço, Gabriel. Bom descanso.
Um grande abraço para todos os observadores, todos em geral, e para os benfiquistas, as pipocas hoje estavam bem.