"Meu amor, eu te amo, mas não me vou casar em Massachusetts". O "big wedding" brasileiro de Conor Kennedy e Giulia Be

“Eu estava muito nervosa, ele estava muito nervoso, mas parecia que era uma pessoa que eu já conhecia muito. Desde esse dia não desgrudamos mais. No terceiro date, ele já me apresentava para as pessoas como namorada. ‘My girlfriend’ e ‘my boyfriend'”, recorda a cantora. A história intensa rendeu inspiração para Giulia Be escrever músicas e gravar videoclipes. Passados três meses do namoro, os dois fizeram tatuagens a combinar. “Nós dois somos católicos e a mãe dele faleceu quando ele tinha 17 anos, e eu imaginei que seria legal fazer alguma homenagem para Mary. Então, a gente fez o Coração Imaculado de Maria, que é um símbolo que a gente sabia que era uma coisa que a gente nunca ia se arrepender”.

Mary Richardson Kennedy tinha 52 anos quando tirou a própria vida. “Muitas vezes não sabia como ela conseguia superar o dia”, afirmou Robert F. Kennedy Jr. na altura, citado pelo New York Times, que recorda que Mary enfrentava um divórcio, um histórico com abuso de drogas e álcool, e uma luta contra a depressão. “Ela estava num estado de agonia por tudo o que se passava na sua vida”, afirmou o ex-marido.

Conviver com a perda da mãe é a dor mais profunda de várias que Conor Kennedy já teve de enfrentar, assim como a família. O advogado é sobrinho-neto de John F. Kennedy, Presidente dos EUA entre 1961 e 1963, morto a tiro enquanto desfilava numa limusine conversível pela Dealey Plaza, em Dallas, no Texas, o caso mais conhecido dentre as muitas tragédias que atingiram os Kennedy ao longo das décadas, e que fomentam a lenda da “maldição”. Bobby Kennedy, irmão de JFK e avô de Conor, foi baleado cinco anos depois enquanto candidato à Presidência dos EUA; John F. Kennedy Jr. morreu três décadas depois, enquanto pilotava um monomotor ao lado da mulher e da cunhada, Carolyn e Lauren Bessette. Entre os 11 filhos de Robert Kennedy, dois já morreram em circunstâncias trágicas: David sofreu uma overdose aos 28 anos e Michael morreu num acidente de esqui no Colorado aos 39 anos. Este ramo da família ainda sofreu a perda precoce de outros três membros da terceira e quarta geração: Saorsie Kennedy Hill, que morreu aos 22 anos numa overdose acidental; e Maeve Kennedy, de 40 anos, e o filho Gideon, de 8 anos, que desapareceram num passeio de canoa em Maryland. A morte mais recente na família foi em 2025. Tatiana Schlossberg, neta de JFK e filha de Caroline Kennedy, faleceu aos 35 anos após enfrentar uma batalha contra um cancro agressivo.

Um Kennedy na Guerra da Ucrânia

Conor Kennedy já havia aparecido em manchetes de jornais no passado. Em 2012 esteve envolvido com Taylor Swift, quando tinha apenas 18 anos, o que lhe rendeu artigos em revistas como a People, que partilhava o encontro de 4 de julho do casal em Nantucket Sound, em Massachusetts, onde ambos estiveram num casamento da família Kennedy. A partir deste momento, passou a ser conhecido na imprensa como o “neto de Bobby Kennedy e ex-namorado de Taylor Swift”.

Foi com esse título que a CBS noticiou a sua detenção em 2013 num protesto na Casa Branca contra a proposta de construção do oleoduto Keystone XL, que foi oficialmente cancelado em 2021. Na altura, Conor Kennedy foi detido com o pai, Robert F. Kennedy, e outros ativistas ambientais, como a atriz Daryl Hannah. Quatro anos depois, o filho de RFK Jr. voltou a ter problemas com a justiça, quando se envolveu numa luta num bar em Aspen, no Colorado. Declarou-se culpado, escreveu uma carta a desculpar-se à vítima e pagou uma multa de 500 dólares, comprometendo-se a abster-se do uso de drogas e álcool por seis meses.

Mas foi em novembro de 2022 que a imprensa norte-americana dedicou mais espaço ao sobrinho-neto de JFK, depois deste partilhar nas redes sociais que havia combatido na Guerra da Ucrânia. “Estava disposto a morrer lá”, escreveu, na publicação que conquistou os jornais. Ao The Gentleman’s Journal, Conor Kennedy deu mais detalhes do seu ato de rebeldia. Foi em maio de 2022 que se alistou na Legião Internacional para a Defesa da Ucrânia — viajou para a Polónia, e em três semanas, diz que estava na linha de frente de combate. Atuou como operador de drone e metralhador, e serviu por quatro meses até regressar.

Conor Kennedy diz que viajou sem revelar o seu próprio nome, com receio de receber tratamento especial ou ser um alvo russo. Alega também que não contou a ninguém que iria, para além da namorada. “Ele me perguntou: ‘Você tem certeza que você quer namorar comigo? Porque eu vou ter que sumir no verão, vou ter que fazer uma viagem e não posso falar pra onde vou, eu não posso te falar nada.’ ‘Como assim? Claro que eu quero, independentemente dessa viagem.’ E acabou que a viagem foi ele indo pra Ucrânia, pra lutar na guerra”, assume Giulia Be. “Na guerra, eu tava muito tensa porque havia momentos em que ele ia para o front e eu não conseguia falar com ele por três semanas. Não sabia se a pessoa estava viva ou não. Foram momentos de tensão, mas queria muito apoiá-lo. Se eu fosse uma mulher que falasse para ele ‘não vai’, não seria mulher para ele. Para mim, teria sido muito mais confortável falar para ele não ir, mas ele precisava de alguém que o apoiasse em uma coisa que ele acreditava muito.”

Nenhuma fonte oficial norte-americana ou ucraniana confirma a presença de Conor Kennedy no conflito, mas o próprio pai, Robert F. Kennedy Jr., descreve à revista People detalhes do período em que o filho esteve na guerra. “Quando ele voltou, expressei algum tipo de raiva”, assume Robert Kennedy. “Quando percebeu que eu estava preocupado, disse-me: ‘Pai, isso é o que você me ensinou: defender aquilo em que acredito'”. Já Giulia Be, partilhou nas redes sociais o momento do reencontro com o namorado.

A ida de Conor Kennedy para a Ucrânia foi alvo de críticas — o sobrinho-neto de JFK foi acusado de fazer “turismo de guerra”. “Eu acho que tem uma coisa meio que instalada na família dele de serviço, de devolver. Eles sabem e têm noção do privilégio que eles nasceram e usam isso como um ponto de partida para ‘como que eu posso devolver para o mundo? Como que eu posso ajudar?’. Eu sempre admirei muito isso sobre ele”, comentou Giulia Be, numa entrevista a um podcast em 2023. Se Kennedy já tem no ADN o que é preciso para produzir e ultrapassar polémicas, a cantora brasileira parece seguir os passos. Recentemente, no single Adulta, provocou a ira do público brasileiro ao cantar: “Agora eu sou adulta, tô aqui pagando multa, minha droga é meu sofá, eu só quero uma panela nova”; descrevendo as dificuldades típicas da classe média enquanto é casada com uma das famílias mais poderosas e tradicionais dos EUA. Mas para quem a acusa de soar alheada da realidade, Giulia Be defende logo que está a adorar a vida de casada. “Lá em Los Angeles, eu sou dona de casa, gosto dessas coisas, eu estou começando a tomar gosto, sabe?”