De acordo com a polícia, após descobrirem o início das investigações em abril deste ano, os suspeitos fugiram para Manaus (AM) com o dinheiro dos dízimos e ofertas da congregação. As informações constam no inquérito conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), ao qual o g1 teve acesso.
Com os mandados de prisão preventiva decretados pela Justiça, eles são considerados foragidos e respondem por crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual pela destruição de provas.
Em nota ao g1, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e nunca responderam a processos criminais.
Veja abaixo o que se sabe sobre o caso:
- Quem são os pastores investigados em Roraima?
- Quais são os crimes investigados pela polícia?
- Quem são as vítimas dos abusos sexuais?
- Onde está o casal de pastores agora?
- Como os pastores destruíram as provas dos crimes?
- Os abusos continuaram mesmo com os suspeitos foragidos?
- Houve desvio de dinheiro da congregação?
- O que diz a defesa dos investigados?
1. Quem são os pastores investigados em Roraima?
Casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza — Foto: Arquivo pessoal
2. Quais são os crimes investigados pela polícia?
Wenderson é investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual, registro não autorizado de intimidade, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Eles convenciam as vítimas de que os abusos tinham "propósito espiritual".
3. Quem são as vítimas dos abusos sexuais?
A Polícia Civil identificou oficialmente seis vítimas, com idades entre 12 e 18 anos, que frequentavam a igreja do casal. Outras cinco meninas mostraram indícios de abusos, mas optaram por não dar depoimento. Em situação de vulnerabilidade, as vítimas sofreram coerção psicológica e chantagem dos pastores.

Delegada explica como atuava casal de pastores que abusava de meninas em Roraima
4. Onde está o casal de pastores agora?
O casal é considerado foragido. Eles foram de ônibus para Manaus em 27 de abril, logo após descobrirem que foram denunciados. A polícia identificou possíveis endereços na capital amazonense e fez buscas, mas os pastores fugiram antes da chegada de agentes, segundo a secretária de Segurança Pública de Roraima.
5. Como os pastores destruíram as provas dos crimes?
Durante a fuga, Wenderson ordenou que duas jovens e a tesoureira da igreja destruíssem um celular. Elas cumpriram a ordem e quebraram o aparelho a marretadas. A polícia suspeita que o dispositivo continha provas. A pastora Arielly também exigiu que uma das vítimas excluísse uma conta de e-mail que armazenava cerca de 14 mil arquivos e vídeos.

VÍDEO: vítima e tesoureira de igreja quebram celular com provas a mando de pastores
6. Os abusos continuaram mesmo à distância?
Sim. Segundo a investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), mesmo em Manaus, o pastor Wenderson manteve contato com as vítimas. Ele continuou a cometer abusos contra uma delas por meio de videochamadas, onde se exibia e exigia que a jovem fizesse o mesmo.
7. Houve desvio de dinheiro da congregação?
Sim. Em depoimento à polícia, uma das vítimas revelou que a tesoureira da igreja, Raquel Barros Lira da Silva, relatou que as finanças da instituição eram direcionadas às contas pessoais de Wenderson e Arielly, e que, após saírem de Roraima, eles levaram o dinheiro arrecadado dos fiéis.
8. O que diz a defesa dos investigados?
Em nota ao g1, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e nunca responderam a processos criminais. Os advogados relataram também que tentam obter acesso aos autos do inquérito para se manifestarem sobre os pedidos de prisão. A defesa de Raquel Barros não deu retorno até a última atualização desta reportagem.
Raquel Barros Lira da Silva e os pastores investigados. — Foto: Reprodução/Facebook