Como era vínculo entre adolescente morta e ex-padrasto confesso | G1

O vínculo entre Alice Nitz, de 14 anos, e o ex-padrasto continuou próximo mesmo depois do fim do relacionamento dele com a mãe da adolescente, segundo a Polícia Civil. Ela foi morta a facadas na última segunda-feira (17), em Encantado, na Região dos Vales, na casa do suspeito.

No entanto, em depoimento, Wagno afirmou que o crime teria sido motivado por um desentendimento entre ele e a adolescente. As circunstâncias do suposto conflito ainda são apuradas pela polícia.

"Se viam seguidamente. Eles moravam próximos, era no mesmo bairro, questão de três quadras mais ou menos de diferença, e não era incomum ela ir na casa dele. Ela ia, não digo todos os dias, mas eventualmente ela ia lá, mesmo após essa separação com a mãe dela", explica a delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso.

Segundo a delegada Dieli Caumo, Alice costumava visitar a casa do ex-padrasto mesmo após a separação dele da mãe, ocorrida cerca de um mês antes do crime. Como os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, a presença da adolescente no imóvel era considerada algo habitual.

Investigação por feminicídio

A Polícia Civil descartou que o assassinato tenha sido cometido para atingir a ex-companheira do suspeito. Após ouvir familiares, testemunhas e o próprio investigado, os policiais concluíram que não havia elementos que apontassem para uma tentativa de causar sofrimento à mãe da adolescente.

🔎 Vicaricídio: O crime, incluído no Código Penal em abril, tipifica a ação de matar alguém próximo a uma mulher com o objetivo de causar punição, sofrimento ou controle a ela.

"Com os depoimentos das testemunhas, irmãs, mãe, e do próprio suspeito, chegamos à conclusão que não havia um conflito entre a família. Não tinha medida protetiva, não tinha ocorrência, ela não relata nenhum tipo de violência ou ameaça. Inclusive, ele disse que não tinha nada em relação à ex-companheira. A morte não se deu para punir a ex-companheira", afirma a delegada.

O que diz a defesa

"O meu cliente é réu confesso e está colaborando com as investigações para elucidar os motivos e as circunstâncias do crime. Cabe ao advogado a garantia dos direitos constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Ele já prestou depoimento à autoridade policial e hoje a tarde passará pela audiência de custódia. Salienta-se que defesa e réu estão cooperando com a Justiça", afirma em nota o advogado Márcio Arcari, que representa a defesa de Wagno Arezi Henika.

Quem era a adolescente

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Alice é lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa. Ela estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Jardim do Trabalhador desde a educação infantil.

Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a jovem tinha forte ligação com as artes: declamava poesias e era integrante do grupo de dança tradicionalista da instituição, o Oigalê.

"Sempre pronta, com sorriso, cheia de vivacidade", diz Karina.

A paixão pelo tradicionalismo era compartilhada com os três irmãos, que também passaram pelo projeto.

Alice jogava futsal em um clube local, o Fênix FC Futsal Feminino. Nas redes sociais, o time expressou solidariedade. "Hoje a quadra ficou mais silenciosa e o nosso coração, infinitamente mais pesado. Perder uma jogadora e acima de tudo companheira, parceira e amiga dói de uma forma que as palavras sequer conseguem traduzir", diz a publicação.

Caso Alice: Enteada seguiu próxima de ex-padrasto após separação da mãe — Foto: Reprodução/Redes sociais

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