Uma plataforma da oposição centro-africana pediu a abertura de uma investigação após revelações da norte-americana Anthropic sobre a utilização da sua IA Claude por um agente russo para produzir conteúdos destinados a desacreditar os opositores.
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“É uma ação criminosa, pois a intenção é causar danos”, declarou à AFP Martin Ziguélé, porta-voz do Bloco Republicano de Defesa da Constituição (BRDC), a plataforma de oposição que acusa o grupo paramilitar russo Wagner de tentar “criminalizar” os líderes da oposição para os “silenciar”.
Num relatório publicado este mês, a empresa norte-americana de inteligência artificial (IA) Anthropic disse ter identificado e interrompido uma “operação secreta orquestrada pelo Estado russo, destinada a manipular e perturbar o espaço informacional da República Centro-Africana” através de uma estação de rádio local.
“Sempre que o utilizador gerava conteúdo, solicitava explicitamente ao Claude que incorporasse nos artigos argumentos pró-Rússia e anti-franceses”, bem como argumentos “hostis à oposição centro-africana”, refere o relatório.
A Anthropic salienta ainda que o “ator russófono” organizou “uma operação de monitorização regular para acompanhar e atualizar dados sobre figuras políticas da oposição centro-africana”.
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“O Claude recusou-se a atender ao pedido mais agressivo da operação, que consistia em rotular pessoas reais como militantes para provocar medidas de segurança contra elas”, pelo que foi utilizada depois uma estratégia baseada em fontes anónimas, acrescenta o relatório.
A Anthropic disse ter eliminado a conta e a organização associadas a esta atividade e ligou o agente a uma estrutura de influência russa ligada ao grupo Wagner e ao Africa Corps.
“Querem criminalizar-nos, apresentar-nos como criminosos para que sejamos processados e silenciados”, denunciou Ziguélé, acusando o grupo Wagner de defender os seus próprios interesses políticos, económicos e de segurança no país.
Ziguélé não especificou se a plataforma tinha apresentado queixa às autoridades judiciais.
A República Centro-Africana é governada desde 2016 pelo Presidente Faustin-Archange Touadéra, cujo governo mantém relações próximas com Moscovo.
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Os membros do Wagner estão presentes no país há vários anos e participaram, inclusive, em operações de segurança ao lado das forças centro-africanas.