Os cinco pontos bombásticos no depoimento de Vorcaro ao gabinete de Mendonça

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Daniel Vorcaro na prisão, em Brasília
Daniel Vorcaro quando foi preso pela PF (./Reprodução)

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O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro ao gabinete do ministro André Mendonça, realizado na semana passada, trouxe uma série de relatos sobre intimidações que ele sofreu e dificuldades em sua tentativa de fechar delação premiada.

Vorcaro fez acusações diretas ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e também disse que pretendia citar “pessoas relevantes do atual governo” em seu acordo.

Veja os principais pontos:

Disposição para colaborar antes de ser preso

Vorcaro afirmou que já pretendia realizar uma delação premiada antes de ser preso pela segunda vez, em março deste ano, e que já tinha inclusive assinado um termo de confidencialidade.

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“Desde o começo, quando eu assino o termo de confidencialidade, foi no dia 3 de março, a polícia logo em seguida, ela já tinha… Já sabia de todos os atos que deveriam ser feitos, a polícia, ela emite a minha prisão no dia seguinte”, declarou. “A minha prisão no dia subsequente à assinatura já é algo que é completamente fora do padrão”, acrescentou depois.

Ameaça no avião e no helicóptero

O banqueiro relatou dois principais episódios de intimidação após ser preso. O primeiro foi na transferência para Brasília.

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“Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’. Isso em um transporte, quando eu saí de São Paulo, que ia vir para Brasília”, declarou.

Depois, já em Brasília, foi transferido de helicóptero para a Superintendência da PF, e sofreu novas ameaças.

“Durante o transporte da Polícia Federal, de novo, eu sofri intimidações. Eu fui colocado no helicóptero, me colocaram aqueles óculos igual o do Maduro, naquele transporte que o Maduro fez da Venezuela pros Estados Unidos”, lembrou.

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Vorcaro contou ter ouvido: “‘Foi fazer merda, agora vê se faz alguma coisa e fica quieto, não sei o que, e tal, tal, tal’. Aí o outro ia e comentava: ‘É mais fácil, de repente, jogar ele daqui’. Estava no helicóptero, isso, no ar. Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”.

Relação com Andrei Rodrigues

O dono do Master atribuiu esses episódios ao fato de que poderia citar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em sua delação premiada.

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“Ele estaria, sim (no acordo), dentro do contexto dessa questão do evento de relações que eu acabei desenvolvendo, que eu acabei executando coisas que… para que pudesse me proteger”, afirmou.

Ele disse ter uma “relação” com Andrei, que incluía a participação em eventos.

“A gente queria construir uma nova colaboração, me sinto desconfortável de propor uma colaboração, em que a gente tem um diretor da Polícia Federal, com quem eu tinha…Um diretor-geral com quem eu tinha uma relação, que frequentou eventos, que participou de todo esse crescimento do banco e relação de eventos de participação em que ele esteve presente em diversas outras situações que eu gostaria de narrar, não tem a menor chance disso se viabilizar e dar certo. Eu já sabia que não teria”, disse.

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Dificuldade para delação com a PF e diferença de postura

O banqueiro diz que está “há nove meses” tentando apresentar sua versão dos fatos, mas que não é ouvido.

“Estou pedindo para falar há nove meses. Estou pedindo para falar. Pedi para sentar algumas vezes. E ninguém quer sentar da Polícia Federal”, queixou-se. “Pedi diversas reuniões não foram atendidas, não atenderam os advogados, quando atenderam os advogados, era simplesmente de maneira protocolar, sem o menor interesse”, acrescentou.

Segundo Vorcaro, a postura da PGR foi diferente nas negociações.

“A diferença da postura, por exemplo, da PGR, que sentou diversas vezes, queria efetivamente trabalhar, escutar, foi totalmente diferente da postura da Polícia Federal”, disse.

Relações com o atual governo

A proposta de delação envolveria principalmente “pessoas relevantes do atual governo”, com quem ele teria cruzado “linhas de moralidade”.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, declarou.

Segundo Vorcaro, houve “relações jurídicas e pessoais com pessoas relevantes do atual governo e de instituições que, caso reveladas, poderiam prejudicar pessoas que estavam do outro lado da mesa”.

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