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Este é o Quente e Frio da Rádio Observador, sempre com a Filomena Martins a olhar para o tempo. Olá, Filomena, bem-vinda.
Olá, Nelson.
Parece que acabou a chuva. A pergunta é: e agora?
E agora é só sol.
Boa. Parece que temos um verão de regresso, não é?
É, porque depois deste início de verão cheio de reviravoltas, parecia uma montanha-russa, agosto parece que vai finalmente entrar nos eixos e o calor regressa já a partir de amanhã, quarta-feira, e instala-se praticamente em todo o país. Desta vez, tudo indica que vem para ficar, pelo menos durante alguns dias. Não é uma onda de calor, é simplesmente o verão a comportar-se como esperamos em agosto. Até ao final da semana, todas as capitais de distrito deverão ultrapassar os 30 °C. No Norte e centro e no Alentejo, cidades como Castelo Branco, Évora e Beja deverão voltar a aproximar-se dos 38 °C, 39 °C, a abair dos 40 °C. Vamos ter noites tropicais, que também regressam. No Algarve já lá estão, não saem, têm ficado há bastantes dias, há mais de 10 dias que andamos a falar delas.
Noites tropicais é acima dos 20 °C.
Acima dos 20 °C. Vamos ter também essas noites tropicais na região de Lisboa e Vale do Tejo e em vários locais do Alentejo. E as mínimas ficarão entre os 20 °C e os 24 °C.
O que é péssimo pra arrefecer as casas durante a noite.
E o corpo.
Também. Junto à costa, continuamos, principalmente ali no Norte e centro, com temperaturas um pouco mais baixas.
Sim, mais fresquinhas. Portugal continua uma espécie de dividido em dois. Enquanto o interior aquece muito rapidamente, o Atlântico protege o litoral. Entre Viana do Castelo e Lisboa, muitas localidades costeiras, as capitais de distrito vão estar acima de 30 °C, mas localidades vão ficar com máximas entre os 24 °C e os 27 °C, por causa da nortada, que volta a soprar moderada e forte durante as tardes. Essa combinação de calor, vento e umidade muito baixa, é preciso também dizê-lo aqui, é muito importante pra um agravamento do risco de incêndio rural, sobretudo no interior Norte, no Centro e no Alentejo. Cuidado com a utilização do fogo e estar atento àquelas restrições que possam estar em vigor. Para quem está de férias, outro ponto importante, que é a água do mar, que também mostra dois países diferentes. Na costa ocidental, vai manter-se entre os 18 °C e os 20 °C, devido àquele afloramento das águas frias provocado pela nortada. No sul, no Algarve, os banhos um pouco mais agradáveis, entre 21 °C e 23 °C na água. Num resumo rápido, depois das mudanças constantes das últimas semanas, nos próximos dias é um padrão estável, com calor no interior, o litoral mais fresco, vento Norte durante a tarde e um verão que por fim parece ter assentado.
Pelo menos para os próximos dias.
Ficar quietinho agora.
Hoje vamos falar nos fenômenos de tsunamis meteorológicos, também conhecidos como meteotsunamis. O que é isso?
Já tinhas ouvido falar?
Nunca ouvi falar.
O nome parece estranho, mas vou te dizer que o fenômeno é muito real. Ainda agora em julho, uma subida repentina do mar surpreendeu os moradores e os turistas em duas localidades da costa da Croácia, porque em poucos minutos a água invadiu passeios marítimos, saltou embarcações e obrigou muitas pessoas a fugir. E não houve qualquer sismo. O que aconteceu foi que a atmosfera provocou tudo isso. Um meteotsunami é literalmente um tsunami de origem meteorológica. Em vez de ser provocado por um terremoto, por uma erupção vulcânica, nasce quando uma linha de tempestades ou uma variação muito rápida da pressão atmosférica empurra a superfície do mar. Se essa perturbação viajar à mesma velocidade que uma onda na água, acontece que há um efeito de amplificação da onda, semelhante à de empurrar. Imagina um baloiço, sempre no momento certo. Isso em mar aberto. Essa onda vai passar quase despercebida, mas se entra numa baía, num porto ou num estreito, pode crescer muito rapidamente e provocar correntes muito fortes e uma subida repentina do nível da água. No Mediterrâneo, este fenômeno é tão conhecido que até tem nome próprio. Nas Baleares, chama-se "rissaga". Na Croácia é conhecido por "ciga".
Ok.
Só que os meteotsunamis não acontecem apenas no mar. Na semana passada, uma violenta tempestade que produziu um tornado no estado norte-americano de Wisconsin, desencadeou também um meteotsunami no lago Winnebago. Primeiro, a água recuou cerca de 60 cm.
Tem esse fenômeno também, como nos terremotos, em que primeiro recua e depois chega com grande quantidade.
A água recuou cerca de 60 cm, que é muito, e poucos minutos depois regressou numa longa onda que inundou a margem. Este é só um dos exemplos mais recentes deste fenômeno raro, mas que mostra que a atmosfera cria condições certas pra transformar um lago aparentemente calmo, num cenário que faz lembrar um verdadeiro tsunami, como se fosse um verdadeiro tsunami.
Meteotsunami. Nunca tinha ouvido falar. Bom fenômeno que trouxeste esta terça-feira. Vamos à curiosidade do dia e terminamos com uma curiosidade que gosto muito e tu também, que é o cheiro da chuva. Tem ou não cheiro?
Tem cheiro, sim, e eu lembrei-me dele nestes dias, agora que choveu, porque eu gosto quando a chuva cai na terra seca. Sempre que dizia isto, levava raspadinhas da minha mãe e da minha avó, porque diziam que era o cheiro dos mortos.
Sabedoria popular.
É. Mas há mesmo este cheiro característico quando começam a cair as primeiras gotas de chuva depois de muitos dias de calor. E tem um nome, chama-se petricor.
Petricor. Nunca tinha ouvido falar.
Petricor. A palavra foi criada por dois cientistas australianos em 1964 e junta dois termos gregos que significam, literalmente, sangue das pedras.
Então pode haver aqui sangue, está aqui. A sabedoria popular não engana.
Lá saberiam alguma coisa. Só que este cheiro não vem das pedras, resulta da mistura de óleos libertados pelas plantas durante os períodos secos, com uma substância produzida por bactérias que vivem naturalmente no solo, no chão. Quando as primeiras gotas de chuva atingem o chão, a terra, rebentam pequenas bolhas de ar que lançam essas partículas pra atmosfera, e é isso que o nosso nariz detecta quase imediatamente, muitas vezes até antes da chuva se tornar intensa. Curiosamente, o ser humano é extremamente sensível a este aroma. Alguns investigadores acreditam que herdamos essa capacidade dos nossos antepassados, lá está, porque o cheiro da chuva podia indicar a chegada de água, um recurso essencial pra sobreviver. Por isso, já sabes, da próxima vez que sentires aquele aroma inconfundível, antes ou durante um aguaceiro, já sabes, não é apenas cheiro de chuva, é petricor.
Petricor. Demos um nome a uma coisa que eu acho tanta piada e que acontece, de fato, nesta altura do ano, porque depois do calor, aquela primeira chuva traz sempre este cheiro da terra seca. Boa curiosidade também no fecho do Quente e Frio, sempre com a Filomena Martins, para ouvir aqui na Rádio Observador e disponível no nosso site e nas plataformas de podcast. Até amanhã, Filomena.
Até amanhã.