Ouro Safra foge de dívidas e mantém negócio com arrendamento e revendas | CNN Brasil

A Ouro Safra traçou como meta alcançar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões em faturamento até 2030, apoiada na expansão da estrutura de armazenagem de grãos e da rede de lojas de insumos agrícolas. A estratégia ocorre em um momento de margens mais apertadas para parte do agronegócio e de juros ainda elevados no país.

A empresa encerrou o último ano-safra com faturamento de R$ 13,2 bilhões e originou 7 milhões de toneladas de grãos. Segundo o presidente e fundador da empresa, Nei Carvalho, em um período que, segundo o presidente da companhia, Nei Carvalho, a expectativa é que, no fechamento do ano fiscal, a receita alcance entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões.

“Foi um ano bom para a Ouro Safra, mesmo com o momento difícil para o setor. Conseguimos superar esse cenário”, diz Carvalho à CNN.

Para alcançar o objetivo estabelecido para o fim da década, a companhia precisará mais que dobrar de tamanho em relação ao patamar atual.

A expansão, no entanto, será feita sem alterar o modelo de crescimento adotado pela empresa, afirma o executivo da Ouro Safra.

Leia Mais

  • Conab eleva estimativa da safra de grãos para recorde de 360,1 milhões de t
  • Soja do Paraguai caminha para safra recorde, enquanto clima pressiona milho
  • ABIOVE projeta processamento de soja recorde

A estrutura da Ouro Safra conta atualmente com 41 silos, 22 lojas e 12 centros de distribuição (CDs). Na frente de comércio exterior, foram exportados cerca de 50 navios de grãos.

"No ano, originamos mais ou menos 7 milhões de toneladas. Temos 41 silos, 22 lojas de revenda e 12 CDs. E exportamos em torno de 50 navios de soja, milho e sorgo", detalha.

Carvalho atribui parte da capacidade de expansão da Ouro Safra, mesmo em um período de margens pressionadas no agronegócio, à estratégia financeira adotada pela companhia. Segundo ele, a empresa trabalha com recursos próprios e evita recorrer a financiamentos.

A companhia opera atualmente evita dívidas de longo prazo e procura crescer sem imobilizar grandes volumes de capital, uma estratégia que ganhou importância diante do custo elevado do dinheiro no Brasil.

“A Ouro Safra tem um modo diferente de trabalhar. Faço isso há 36 anos. A gente não tem dívidas, não faz financiamento e sempre trabalha com recurso próprio. Quando chegam as horas difíceis, conseguimos atravessar melhor", descreve à reportagem. “Hoje a estratégia é investir sem imobilizar”, acrescenta.

Para Carvalho, o endividamento também ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas pelos produtores diante de preços menos favoráveis das commodities e margens menores.

“A soja não está em um preço bom, mas, se o agricultor não estiver endividado, ainda pode sobrar um pouco para que ele consiga atravessar esse período até as coisas melhorarem. O problema é o endividamento, principalmente agora, depois de alguns anos difíceis para o produtor rural, com margens baixas. Para quem tem dívida, está muito difícil”, avalia.

Meta de até R$ 40 bilhões em 2030

Apesar do ambiente adverso, a Ouro Safra pretende manter a trajetória de expansão. A companhia trabalha com uma meta de faturamento entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões até 2030.

A empresa afirma ainda que pretende aproveitar oportunidades de mercado sem “pular etapas”, mantendo como prioridade um crescimento considerado sustentável.

Parte do crescimento deverá vir da ampliação da estrutura de armazenagem, da abertura de novas frentes de revenda e do avanço no comércio exterior. Carvalho afirma que a empresa tem encontrado oportunidades justamente em regiões e operações deixadas por concorrentes que reduziram sua presença.

“Na originação, estamos bem posicionados em silos. Quando aparecem armazéns para arrendamento, estamos arrendando. E, se surgir algum armazém com um preço interessante, podemos comprar. Não nos endividamos, mas temos recursos para aproveitar algumas oportunidades”, diz o empresário.

Na expansão das revendas, a Ouro Safra iniciou neste ano a entrada no Paraná. Para as próximas etapas, Carvalho cita Goiás, Tocantins e Mato Grosso entre os mercados que podem receber novas operações.

A estrutura avançou significativamente nos últimos meses. Em fevereiro, a empresa informava à CNN possuir 36 unidades de armazenamento e anunciava novos movimentos de expansão, incluindo operações em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O plano é continuar adicionando silos nos próximos anos. A companhia enxerga oportunidade no déficit de armazenagem brasileiro, estimado por ela em cerca de 125 milhões de toneladas.

A estratégia acompanha o crescimento da própria produção agrícola brasileira e a necessidade de ampliar a infraestrutura disponível para receber e escoar as safras.

Além da armazenagem, a Ouro Safra atua na originação e comercialização de grãos, distribuição de insumos e exportação.

Rede de insumos avança pelo Paraná

Outra frente de crescimento será a abertura de lojas de insumos. Atualmente, a companhia informa possuir 22 lojas e 12 centros de distribuição e prevê inaugurar cinco unidades no Paraná em 2026.

A entrada no estado já inclui regiões agrícolas importantes. A Ouro Safra anunciou presença em Guarapuava e Ponta Grossa, áreas com produção relevante de soja, milho, trigo, cevada e outras culturas.

A expansão ocorre justamente em um ano de produção elevada no estado. A safra de verão 2025/26 do Paraná alcançou recorde de 26,3 milhões de toneladas, alta de 6% em relação ao ciclo anterior, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

A estratégia de aumentar a presença física aproxima a empresa do produtor em duas pontas do negócio: na venda de insumos antes e durante a safra e na originação e armazenagem dos grãos depois da colheita.