Palestinianos acusam Israel de aumentar incursões na Cisjordânia

"A Cisjordânia ocupada testemunhou uma escalada sem precedentes de incursões das forças de ocupação israelitas [o exército israelita] e terrorismo de colonos durante a semana de 20 a 26 de julho", refere o Governo palestiniano num comunicado hoje divulgado.

No total, o Governo palestiniano estima que Israel tenha realizado 446 incursões nos territórios palestinianos da Cisjordânia, em comparação com 315 na semana anterior.

Os ataques de colonos israelitas também aumentaram para 109 na última semana, contra 94 na semana anterior, acrescentou a mesma fonte.

"Estes ataques incluem agressões contra civis palestinianos que resultaram em mortes e feridos, vandalismo de mesquitas, incêndio de casas, terras agrícolas e veículos, destruição generalizada de propriedades públicas e privadas, roubo de gado e repetidos ataques com o objetivo de deslocar palestinianos à força", referiu o Governo palestiniano.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou o alargamento da ocupação do enclave, com um maior destacamento de tropas e o incentivo à construção de colonatos em retaliação por um tiroteio registado na sexta-feira na aldeia de Tell (perto de Nablus, na Cisjordânia).

O incidente resultou na morte de quatro civis palestinianos e de dois militares israelitas.

O exército de Israel afirma que o confronto começou após disparos contra israelitas que percorriam um trilho, enquanto a Palestina relata que o episódio envolveu um ataque de colonos israelitas armados.

Relatos locais indicam que, durante os confrontos, um jovem palestiniano agarrou na arma de um colono (que era também oficial do exército) e matou dois militares israelitas antes de ser abatido pelas forças de segurança

Israel classificou o ato como terrorismo e intensificou as operações em Nablus e arredores para capturar suspeitos foragidos.

Além disso, foi imposto um cerco militar à região de Tell, com o endurecimento de restrições de movimento e limitações à realização dos funerais.

"Durante o último fim de semana, as tropas da Divisão da Judeia e Samaria [Cisjordânia] detiveram mais de 130 indivíduos procurados por mandados de captura em aberto", informou um oficial do exército israelita no domingo à noite, acrescentando que a maioria dos detidos estava ligada ao tráfico de armas, à glorificação do terrorismo ou ao planeamento de ataques.

A agência de notícias oficial palestiniana, Wafa, avançou hoje terem sido detidas 20 pessoas em Tulkarem (norte da Cisjordânia) pelas forças armadas.

As forças armadas israelitas isolaram completamente a cidade de Nablus e aumentaram os seus postos de controlo nas estradas de todo o território palestiniano e, em Qalandia, a norte de Jerusalém, as entraram num centro de formação técnica, disparando granadas de gás lacrimogéneo e prendendo vários trabalhadores, incluindo professores.

Além disso, demoliram nove casas palestinianas entre Jerusalém Oriental, os arredores de Ramallah e Jenin, onde, segundo a Wafa, decorre uma intensa atividade militar.

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