Ao mesmo tempo, o Estado-Maior das Forças Armadas iranianas advertiu novamente os Estados Unidos de que responderá a qualquer ataque com "bombardeamentos devastadores" contra as bases militares norte-americanas na região.
"Recentemente, vários representantes apresentaram um plano de três pontos para a retirada do Tratado de Não Proliferação Nuclear que deve ser incluído na agenda pela Mesa porque, perante as condições específicas do país, continuar no TNP apenas prejudica o país", argumentou o deputado iraniano Ali Hayideliganí em declarações citadas pelo diário iraniano 'Sharg'.
Também o diretor da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ibrahim Azizi, defendeu que a opção de saída do TNP "está em cima da mesa".
"Foram preparados planos no parlamento para a retirada do TNP. Este plano foi assinado por vários representantes, mas, para que seja uma decisão oficial, é necessária uma coordenação e consolidação dos pilares do sistema", explicou.
"Se um dia os pilares do sistema islâmico chegarem à conclusão de que a pertença no TNP já não é benéfica, mas sim prejudicial, evidentemente tomarão as decisões apropriadas", acrescentou.
O Irão assinou o TNP em 1968 e ratificou-o em 1970. A sua assinatura implica aceitar as salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) para garantir que a utilização da energia nuclear seja exclusivamente pacífica, renunciando assim ao desenvolvimento de armas nucleares.
Por outro lado, num comunicado, o exército iraniano advertiu que responderá a qualquer ataque com "bombardeamentos devastadores", depois de ter alegadamente recebido informações de que Washington vai retomar as operações de combate com o apoio de países do Médio Oriente.
"Advertimos que qualquer ataque dos Estados Unidos contra o Irão provocará bombardeamentos contínuos e devastadores contra todas as bases e interesses norte-americanos em toda a região, sem exceção", indicou o Exército iraniano.
O Estado-Maior iraniano afirmou dispor de informações que indicam que os Estados Unidos vão "retomar as ações contra a República Islâmica" depois de receberem "luz verde" de países da região numa reunião na Europa.
"Se os países da região se alinharem com a agressão do Grande Satã (EUA) contra um Irão poderoso e soberano, todos serão considerados cúmplices deste mal e já não poderão esperar qualquer moderação ou indulgência por parte das poderosas forças armadas do Irão", asseguraram as Forças Armadas iranianas.
A guerra entre o Irão e os Estados Unidos encontra-se num impasse quase sete meses depois do seu início, com ataques ocasionais a petroleiros no estreito de Ormuz e sem que se vislumbre uma saída para o conflito.
No início de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a retoma das operações de combate em grande escala depois de a Arábia Saudita e o Qatar terem manifestado receio de que o Irão bombardeasse instalações petrolíferas e de gás na região em retaliação.
Esta semana, Trump afirmou que ainda não sabe se deve ou não retomar os ataques maciços para tentar pôr fim ao conflito ou acabar com a República Islâmica, segundo declarou ao meio de comunicação social Axios.

Armas nucleares: Irão adverte que EUA e Israel podem pôr em causa tratado
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano advertiu hoje que as ações dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão podem levar Teerão a reavaliar a permanência no Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
Lusa | 19:07 - 19/09/2026