O Parlamento Europeu levantou esta terça-feira a imunidade parlamentar de Grzegorz Braun, eurodeputado polaco e líder do partido ultranacionalista Confederação da Coroa Polaca (KKP), que enfrenta na Polónia acusações relacionadas com a negação dos crimes de genocídio cometidos pela Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial.
Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›
Os eurodeputados votaram em Estrasburgo a favor do levantamento da imunidade de Braun, abrindo caminho para que as autoridades polacas avancem com um novo processo contra o político, desta vez relacionado com declarações feitas durante um debate público realizado em Varsóvia, em setembro de 2025. Braun é acusado de ter negado os crimes de genocídio cometidos pelos nazis em Auschwitz.
O caso junta-se a outro processo em que o líder da KKP já foi formalmente acusado de negar o genocídio. Nesse processo, estão em causa declarações feitas durante uma entrevista radiofónica em julho de 2025, na qual Braun afirmou que “Auschwitz, com as suas câmaras de gás, é, infelizmente, uma farsa”. A infração pode ser punida com uma pena de até três anos de prisão.
A imunidade parlamentar de Braun já tinha sido levantada pelo Parlamento Europeu em março, permitindo que as autoridades polacas avançassem nesse primeiro processo. O político foi formalmente acusado em agosto.
A decisão tomada esta terça-feira permite agora que a Polónia prossiga também com o processo adicional relacionado com as declarações proferidas durante o debate público de setembro de 2025.
Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade
Braun ganhou peso na política polaca
A decisão do Parlamento Europeu surge num momento em que Grzegorz Braun e a sua formação política têm vindo a ganhar relevância no panorama político polaco.
Nas eleições presidenciais de 2025, Braun alcançou uma inesperada quarta posição, conquistando 6,3% dos votos. A Confederação da Coroa Polaca surge atualmente com cerca de 8% nas sondagens para as eleições parlamentares do próximo ano.
Esse resultado poderá dar ao partido uma posição relevante na formação de maiorias, uma vez que a KKP poderá assumir um papel decisivo entre o partido de direita Lei e Justiça e a coligação governamental liderada pelo primeiro-ministro Donald Tusk.
Imunidade já foi levantada por outros casos
Esta não é a primeira vez que o Parlamento Europeu decide levantar a imunidade parlamentar de Braun. O órgão europeu já tomou decisões semelhantes relativamente a várias outras alegações envolvendo o eurodeputado.
Entre os casos está uma acusação relacionada com a agressão a um médico. Braun também foi alvo de um processo relacionado com um episódio ocorrido durante uma celebração de Hanukkah, no qual apagou as velas de uma menorá.
Continue a ler após a publicidade
Após a votação desta terça-feira, Braun reagiu através da rede social X com uma publicação em tom de brincadeira. O eurodeputado afirmou que já tinha perdido a conta ao número de processos relativamente aos quais a sua imunidade parlamentar tinha sido levantada.
Braun não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a decisão do Parlamento Europeu.
O levantamento da imunidade permite agora às autoridades polacas avançarem com o processo adicional relacionado com as declarações sobre Auschwitz. O eurodeputado enfrenta assim mais um processo judicial num contexto de crescente peso político da formação que lidera na Polónia.