Paulo Lopo quebra o silêncio sobre escândalo na arbitragem: "Sou sério"

Paulo Lopo concedeu uma extensa entrevista à edição desta quarta-feira do jornal A Bola, na qual quebrou o silêncio a propósito da investigação aberta pela Polícia Judiciária (PJ) ao mais recente escândalo na arbitragem portuguesa, no qual é suspeito de ter orquestrado um esquema de viciação de resultados, juntamente com Luciano Gonçalves.

De acordo com o Correio da Manhã, o agora ex-presidente do Estrela da Amadora teria estado por trás de uma série de nomeações de juizes, não só dos próprios jogos, como também de rivais diretos na luta pela permanência. No entanto, o próprio desmente, agora, qualquer tipo de relação com o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

"Estou completamente de consciência tranquila. Nunca fui chamado a prestar declarações sobre este assunto, nem à Polícia Judiciária, nem ao Ministério Público, nem à Federação Portuguesa de Futebol. Nunca fui ouvido. E o Estrela da Amadora também está completamente fora desta polémica. Acho que é uma não-polémica", começou por afirmar.

"Nego categoricamente! Acho que essa narrativa não faz o mínimo sentido. Tenho uma relação com o Conselho de Arbitragem igual à que tinha com o anterior. Tal como todos os outros presidentes têm. É uma relação institucional. Eu não posso dizer que sou amigo de Luciano Gonçalves porque ele nunca foi a minha casa, eu nunca fui a casa dele, não conheço a mulher dele e ele não conhece a minha", prosseguiu.

"Nunca tive uma reunião com Luciano Gonçalves a pedir-lhe o que quer que fosse. Curiosamente, tive duas reuniões com Luciano Gonçalves na presença do Duarte Gomes [antigo diretor técnico nacional de arbitragem]. Eu sempre fui um defensor dos árbitros. Aliás, o próprio Duarte Gomes fez-me um grande elogio relativamente a isso. Considero que os erros dos árbitros são normais", completou.

"Não tenho por hábito queixar-me a Pedro Proença"

Paulo Lopo disse, ainda, ter-se limitado a fazer o seu "trabalho" em relação "àquilo que é o desconforto natural que os presidentes sentem quando acham que são prejudicados", pelo que a polémica em causa não passa de "ruído". Nesta mesma entrevista, desvendou o conteúdo das reuniões que manteve com Luciano Gonçalves.

"Tal como já acontecia com o Conselho de Arbitragem anterior, diziam que as coisas iam mudar, que iam tentar escolher árbitros com mais experiência, internacionais, e garantiam que os jogos iam correr bem e para continuarmos a confiar no sistema porque é um sistema sério. Eu até acho curioso falarem do Estrela da Amadora porque diria que houve mais de 60 reuniões de dirigentes de clubes com o Conselho de Arbitragem. É um procedimento normal", esclareceu.

Já sobre Pedro Proença, negou eventuais conversas sobre este mesmo tema: "Francamente, não. Falo com ele sobre outros temas do futebol português. Não tenho por hábito queixar-me a Pedro Proença. Existindo um Conselho de Arbitragem, manifesto-me ao próprio Conselho de Arbitragem e não a outros. E foi sempre aquilo que fiz".

"Eu acho que é um efeito colateral de outro tipo de guerras que não têm nada a ver com isso. O processo está em segredo de justiça e eu gosto muito de respeitar a verdade das coisas. Não gosto de julgamentos na praça pública. Se algum dia tiver de pronunciar-me sobre este processo, fá-lo-ei em sede própria também", acrescentou.

"O Paulo Lopo é uma pessoa séria. Já o era antes de vir para o futebol e vai continuar a ser sério e leal", concluiu.

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