"Nós há muito tempo que dizemos que o problema hoje já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo, o Governo deixou-se arrastar para este processo, e portanto a responsabilidade deixou de ser do ministro Luís Neves, passou a ser de todo o Governo, e portanto precisará de conclusões desse processo", afirmou, considerando que "algo tem que ser feito".
Paulo Raimundo falava aos jornalistas durante o segundo dia da Festa do Avante!, que marca a rentrée do PCP e decorre até domingo na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal).
Na ocasião, o secretário-geral do PCP foi questionado novamente como é que o partido vai votar na terça-feira a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, e disse que a decisão está tomada, mas recusou avançar essa informação durante a Festa do Avante!.
"Era só o que faltava a Festa do Avante!, com esta dimensão solidária, com esta capacidade de mobilização, com esta energia, com esta confiança, com este empenho num novo rumo para Portugal, ser condicionada à agenda de outros", salientou.
Paulo Raimundo voltou a criticar a iniciativa do Chega por ser centrada nas polémicas que envolvem Luís Neves e não a política do Governo.
"Independentemente das explicações que o ministro tem que dar e tem que dar, e muitas, convenhamos que o problema do Governo e o problema das nossas vidas não é apenas aquele ministro […] Portanto, nós temos que avaliar o conteúdo, mas também temos que avaliar a forma", afirmou.
Raimundo disse que "o Governo, a sua política, merece censura" mas recusou alimentar "a demagogia, o folclore do Chega".
O líder comunista voltou a dizer que o PCP admite apresentar também uma moção de censura ao Governo porque "é preciso travar a política que está em curso o mais depressa possível, e para isso é preciso travar o Governo".
"É preciso travar o Governo e a sua política, e temos vários instrumentos ao nosso dispor, desde logo, a força, a ação, a mobilização, a luta de massas, para dar dimensão social a essa exigência. E depois temos os instrumentos legislativos, nomeadamente a moção de censura, do qual não vamos abdicar, e do qual vamos recorrer se entendermos, quando entendermos e quando acharmos que é o tempo mais conveniente", indicou.
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