Pelo menos 189 crianças morreram no surto de ébola na RDCongo

Segundo a organização Save the Children, desde que a epidemia foi declarada na província congolesa de Ituri, na fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro do surto, cerca de 476 crianças contraíram a doença.

De acordo com a organização, as crianças falecidas representam cerca de um quinto das mortes confirmadas nesta epidemia até o momento.

A Organização Não Governamental (ONG) está atualmente a oferecer apoio psicossocial a mais de 4.000 crianças em Ituri, onde a Save the Children criou espaços seguros para que possam brincar, descansar e começar a recuperar do medo, da tristeza e da ansiedade.

A doença mudou a forma como algumas crianças interagem entre si e com os adultos, já que muitas evitam o contacto próximo e mantêm distância dos outros, segundo os funcionários da organização que atuam na região.

A Save the Children também alertou que algumas crianças precisarão de cuidados temporários fora das suas famílias, após serem separadas de seus pais ou responsáveis legais devido a doenças, isolamento, abandono ou morte.

"As crianças em Ituri carregam um enorme fardo emocional. Muitas testemunharam violência, perderam entes queridos para o surto de Ébola ou foram obrigadas a deslocações repetidas", disse Babou Rukengeza, coordenador da resposta ao Ébola da ONG na RDCongo.

"Espaços seguros oferecem-lhes um ambiente onde podem expressar-se, recuperar a confiança e simplesmente voltar a ser crianças", acrescentou.

A organização frisou que o surto representa uma "segunda crise" para muitas crianças já deslocadas pela violência no leste do Congo, uma região afetada há décadas por conflitos entre grupos armados e o exército.

Nesse sentido, alertou que o stresse prolongado durante a infância pode ter consequências duradouras no desenvolvimento cognitivo, no bem-estar emocional e na saúde física e mental a longo prazo das crianças, caso não recebam apoio adequado.

De acordo com o último boletim do governo, a República Democrática do Congo registou 2.423 casos confirmados de Ébola, incluindo 967 mortes, o que coloca a taxa de letalidade em 39,9%.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera "elevado" o risco de propagação do surto na África subsaariana e "baixo" à escala global.

Esta é a terceira pior epidemia de Ébola da história e a 17.ª a afetar a República Democrática do Congo.

O vírus Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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