O real teve o pior desempenho entre as principais divisas emergentes nesta segunda-feira (27) destoando do comportamento positivo visto na Bolsa e na renda fixa.
Apesar da pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã diminuir o risco geopolítico, a queda de mais de 6% do petróleo Brent deteriora os termos de troca para o Brasil, que é exportador líquido da commodity, e pesa junto da leitura de um ambiente político incerto, mediante eleições acirradas e tarifaço em voga.
Há ainda relatos de fluxo pontual e ajustes antes da decisão do Federal Reserve (Fed) daqui dois dias.
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O dólar à vista subiu 0,62%, a R$ 5,1122, maior nível em duas semanas, e o contrato futuro para agosto avançava 0,41%, a R$ 5,1200 por volta das 17h, enquanto o índice DXY - que mede a divisa americana contra seis pares fortes - tinha alta de 0,04%. No mês de julho o dólar ainda cai 0,98% e no ano, -6,86%.
O head da mesa de operações do Banco Moneycorp, João Oliveira, enfatiza que a alta do dólar contra o real nesta segunda não é expressiva e pode ser decorrente de fluxo. Ele justifica que como o dólar oscilou entre o nível de R$ 5,04 e R$ 5,08 na sexta-feira, "o pessoal pode ter aproveitado para dar uma zerada nas posições".
Nessa linha, o sócio-diretor da Wagner Investimentos (WIA), José Faria Junior, afirmou, em relatório desta manhã, que importadores pouco comprados na divisa americana deveriam elevar a posição antes do Fed, aproveitando que o câmbio estava em torno de R$ 5,07 por dólar.
O principal foco deve ser a decisão do Fed nesta quarta-feira, avalia o head de estratégia de mercado global da Ebury, Matthew Ryan, para quem o mercado acredita que, "no mínimo, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manterá aberta a opção de elevar os juros em setembro".
Ainda que haja cautela com o Fed, nesta segunda o exterior ficou mais ameno após os EUA sinalizarem uma pausa nos ataques contra o Irã - tanto que o Brent para outubro fechou em baixa de 6,33%, a US$ 85,87 o barril.
Oliveira, do Moneycorp, elenca a queda do petróleo e o tarifaço dos EUA como fatores de pressão cambial. "É muito cedo para saber o que acontecerá de fato. No último tarifaço o Brasil perdeu um pedaço da exportação para os Estados Unidos e compensou a outros países, como China, mas a soma de tarifaço, petróleo e um pouco de política pesam no real hoje", avalia.
A polarização política, com a definição dos últimos candidatos à Presidência e as últimas pesquisas eleitorais, justificam a alta do dólar, segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, que vem mencionando a pauta fiscal do próximo governo como uma fonte de preocupação.
Tanto o levantamento Datafolha quanto a pesquisa BTG/Nexus mostraram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - em tese, mais avesso ao ajuste fiscal - lidera as intenções de voto no primeiro turno.
Em eventual segundo turno, o Datafolha mostra 48% para o petista contra 43% de Flávio Bolsonaro, e BTG/Nexus sinaliza empate técnico, a 47% versus 43%, respectivamente.
Na agenda desta terça-feira, 28, destaque para divulgação do setor externo de junho (8h30) e IPCA-15 de julho (9h).
Segundo o Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o mercado prevê déficit de US$ 2,3 bilhões nas transações correntes, após saldo negativo de US$ 3,1 bilhões em maio, e IPCA-15 desacelerando a 0,21%, após alta de 0,41% em junho.