A Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) voltou a alertar para o declínio das reservas de gás dos campos de Pande e Temane, um ano após ter identificado o problema, num exercício em que os lucros recuaram 20,8%.
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A preocupação consta do relatório e contas de 2025/2026, encerrado em junho, a que a Lusa teve hoje acesso, no qual a petrolífera estatal reconhece que o fim do atual ciclo de investimentos para prolongar a produção de gás natural, naqueles campos na província de Inhambane, no sul de Moçambique, obriga a empresa a procurar novas oportunidades de negócio para assegurar a sua sustentabilidade futura.
“A questão que se coloca perante a CMH é, portanto, clara: como garantir que a Empresa continue a ser economicamente relevante e sustentável quando a produção de Pande e Temane deixar de proporcionar os níveis atuais de receitas e de geração de caixa”, refere o presidente do conselho de administração, Reis Mudavanhe, na mensagem que acompanha o documento.
“A resposta passa pela antecipação. Temos de começar hoje a construir o portfólio do amanhã”, acrescenta.
O alerta surge um ano depois de a administração da CMH ter avisado para o “declínio acentuado” daqueles reservatórios, considerados a principal fonte de receitas da companhia.
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O relatório mostra que o lucro líquido da empresa caiu de 46,7 milhões de dólares (40,2 milhões de euros) em 2024/2025 para 37,0 milhões de dólares (31,8 milhões de euros) em 2025/2026, uma redução de 20,8%. As receitas totais recuaram igualmente 12,3%, passando de 111,4 milhões de dólares (95,8 milhões de euros) para 97,7 milhões de dólares (84,0 milhões de euros).
No negócio conjunto dos campos de Pande e Temane, operado pela Sasol e com um período de vida estimado até 2030, onde a CMH detém uma participação de 25%, o resultado operacional diminuiu 23%, para 72,8 milhões de dólares (62,6 milhões de euros), face aos 94,7 milhões de dólares (81,5 milhões de euros) do exercício anterior. A empresa explica este desempenho com o efeito dos “baixos preços no mercado internacional e volume de vendas”.
Os dados operacionais evidenciam igualmente a pressão sobre a produção, com as vendas acumuladas de gás natural recuaram 15,6%, de 168,4 para 142,2 milhões de gigajoules (MGJ), enquanto as vendas de condensado diminuíram 11,1%.
A CMH refere que a produção média bruta de gás baixou 18%, para 402 milhões de pés cúbicos por dia, menos cerca de 90 milhões de pés cúbicos diários do que no exercício anterior, enquanto a produção média de condensado caiu 8,4%, para 787 barris por dia.
Segundo o relatório, o desempenho foi afetado por problemas operacionais na central de processamento de Temane, limitações de produção em alguns furos e pelas cheias de janeiro, que interromperam a circulação na estrada Nacional 1, dificultando o escoamento de condensado durante várias semanas.
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Apesar disso, a administração destaca os investimentos realizados para prolongar a vida útil dos ativos, embora admita que essas medidas não eliminam o problema estrutural. “As reservas remanescentes de Pande e Temane (…) representam um desafio no declínio natural de reservas, no qual irá igualmente impactar na produção de gás e condensado nos próximos anos”, assinala o relatório.
A administração acrescenta que “uma das nossas prioridades estratégicas é a identificação e avaliação de novas oportunidades de negócio, quer no setor de petróleo e gás, quer em áreas complementares que possam contribuir para a diversificação das fontes de receita da empresa”.
“O nosso compromisso é assegurar que a experiência e o valor construídos pela CMH ao longo dos anos não terminem com o declínio da produção de Pande e Temane. Pelo contrário, queremos utilizar esse património para lançar as bases de uma nova CMH, mais diversificada, competitiva, eficiente e preparada para o futuro”, conclui a empresa.