O registro, publicado nesta sexta-feira (18) pelo jornal O Globo, mostra uma confraternização em Londres, em abril de 2024. Na foto, Vorcaro aparece próximo ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a outras duas pessoas.
Os quatro, com charutos nas mãos, ocupam duas mesas com copos de uísque.
Segundo a reportagem, a foto foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, seguida da mensagem: "PG me mandou". PG são as iniciais de Paulo Gonet.
Ainda segundo a Polícia Federal, um ano depois do encontro em que a foto foi tirada, em 28 de março de 2025, o advogado Ciro Soares encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu ao procurador-geral.
Em uma delas, diz que Gonet "lhe adora" e que "vai para Londres com eles", em referência a um novo evento na cidade.
Outro comentário atribuído ao procurador-geral diz: "OBA!!! TOMARA QUE TENHA CHARUTO E MACALAN!", em referência à marca de uísque escocês.
Vorcaro responde: "AGORA VAI TER QUE TER PLANTAÇÃO DE CHARUTO E BARRIL DE MACALAN RISOS".
Esse evento de 2025 acabou cancelado.
Pedido de nulidade
Assim que o sigilo do relatório que expôs as mensagens de Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes foi retirado por André Mendonça, Paulo Gonet pediu a nulidade do documento.
Gonet argumentou que Mendonça não poderia ter determinado uma investigação de um colega sem a prévia anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que o presidente do Supremo, Edson Fachin, deveria ter sido informado sobre o teor das conversas.
Em nota, a PGR confirmou a autenticidade da foto e disse que o próprio Paulo Gonet já admitiu publicamente que participou do evento em Londres com outras autoridades.
A nota afirma ainda que o ministro André Mendonça, então relator do caso, disse que a menção ao procurador-geral nas mensagens não era nada grave.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal deve analisar as mensagens de Vorcaro que citam o procurador-geral em sessão marcada para a próxima sexta-feira (25).
A partir dessa análise, o Conselho decide se há ou não indícios de crime comum que justifiquem a abertura de investigação contra Gonet.