O crescimento da economia portuguesa deverá perder ritmo no segundo semestre de 2026, apesar de a evolução dos primeiros meses do ano apontar para uma revisão em alta da previsão de crescimento anual. O alerta consta do Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG de setembro, que antecipa uma moderação do crescimento homólogo no terceiro trimestre.
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A persistência dos preços elevados da energia, a perspetiva de maior restrição da política monetária e a diminuição progressiva dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) são apontados como fatores de incerteza para a evolução da economia nos dois últimos trimestres do ano.
O Barómetro destaca, por outro lado, um aumento relevante do consumo de cimento e uma recuperação, embora mais moderada, do contributo do setor dos serviços. Já os indicadores de confiança apresentam sinais menos positivos. Entre julho e agosto, o indicador de clima económico estabilizou, depois da evolução favorável registada ao longo do segundo trimestre, enquanto a confiança dos consumidores interrompeu a trajetória de melhoria e passou a apresentar um perfil descendente.
Ainda assim, a evolução registada no primeiro semestre deverá permitir uma revisão em alta da previsão para o conjunto de 2026. Depois de o PIB ter crescido 0,9% em cadeia no segundo trimestre, um crescimento nulo nos terceiro e quarto trimestres seria suficiente para que a economia avançasse 2,1% no conjunto do ano.
Caso as previsões trimestrais do Banco de Portugal para a segunda metade do ano se concretizem, o crescimento anual poderá atingir 2,4%, segundo o diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha.
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“Depois de no segundo trimestre o crescimento do PIB ter excedido as expectativas, ao avançar 0,9% em cadeia, a transmissão gradual do choque de preços da energia aos diversos setores da economia, a perspetiva de mais restrições na política monetária e a diminuição progressiva dos fundos do PRR que faltam aplicar, indicam que o crescimento do PIB deverá abrandar até ao final do ano”, afirma Rafael Alves Rocha.
O responsável deixa também um alerta sobre a capacidade das empresas para absorver a subida dos custos sem a repercutir nos preços finais.
“As empresas estão a resistir a repercutir o aumento dos custos nos seus preços finais, esmagando as suas margens”, afirma. “Face à persistência em alta dos preços da energia e ao aumento dos custos de financiamento, esta situação não é sustentável por muito tempo e poderá ensombrar a evolução da economia portuguesa nos próximos meses”.
A próxima edição do Barómetro CIP/ISEG deverá divulgar a previsão para o crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre de 2026.