A polícia chinesa desmantelou três redes criminosas e deteve 24 indivíduos suspeitos de utilizarem inteligência artificial (IA) e contas com milhões de seguidores nas redes sociais para extorquir produtoras de televisão e celebridades, reportaram meios de comunicação estatais chineses.
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Segundo a agência noticiosa estatal Xinhua, em Heyuan, na província de Guangdong, um suspeito de apelido Li estabeleceu e registou uma agência multimédia e operou várias contas em redes sociais com um total de mais de dez milhões de seguidores, com o objetivo de reunir e compilar rumores sobre celebridades.
Uma vez compilado o material, o grupo utilizava ferramentas de inteligência artificial (IA) para gerar e publicar conteúdos, “gerando intencionalmente discurso público negativo durante a transmissão de telenovelas e programas de entretenimento”, relatou a Xinhua.
Quando as equipas de produção ficavam sob pressão pública, abordavam a agência para negociar a remoção dos conteúdos. O suspeito exigia então que as empresas envolvidas adquirissem os chamados serviços de “proteção”, ameaçando manter as publicações negativas online caso contrário.
Os pacotes de “proteção” do grupo incluíam a publicação de conteúdo promocional positivo sobre as telenovelas, a remoção de publicações negativas anteriormente divulgadas sobre as celebridades envolvidas, e o compromisso de não publicar mais material negativo enquanto a produção estivesse a ser exibida.
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A polícia de Heyuan deteve um total de 12 pessoas pertencentes a este grupo.
Entretanto, em Hangzhou, província de Zhejiang, outra rede criminosa, estabeleceu uma empresa cultural e de media através da qual alegadamente manipulava a opinião pública online “de forma sistemática, deliberada e processual”, tendo sido detidos 10 suspeitos.
Segundo as reportagens, o grupo utilizava várias contas em redes sociais, cada uma com milhões de seguidores, “para compilar, fabricar e publicar sistematicamente grandes quantidades de informações negativas” dirigidas a filmes populares, telenovelas, programas de entretenimento de sucesso e celebridades de alta visibilidade durante um longo período.
“Criando pressão pública, forçavam as vítimas a contactá-los e a adquirir os chamados serviços de ‘proteção de espetáculos’, obtendo assim lucros ilegais”, afirmou a agência.
A Xinhua comentou que as atividades criminosas deste grupo “perturbaram gravemente o ecossistema saudável” da indústria cultural e de entretenimento.
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A polícia chinesa deteve também duas pessoas em Fuzhou, província de Fujian, acusadas de recolher “informações negativas” sobre novas telenovelas e celebridades “durante um longo período”, “manipulando contas em várias plataformas online populares para fabricar e difundir conteúdo falso”.
“Sempre que uma telenovela popular era transmitida ou um artista aparecia num evento público, o par utilizava as contas para publicar conteúdo negativo, inflacionando artificialmente a popularidade das publicações e criando deliberadamente discurso público negativo”, acrescentou.
Preocupadas com o facto de a publicidade negativa poder prejudicar “as reputações e os interesses comerciais” dos artistas, as equipas de produção e as equipas de gestão contactavam proativamente os suspeitos para solicitar a remoção das publicações, e o par eliminava então os conteúdos relevantes mediante o recebimento do pagamento.
“O ciberespaço não é uma zona sem lei. A utilização organizada de plataformas online para praticar extorsão, perturbando gravemente a ordem online, constitui um crime”, reportou a Xinhua, citando um comunicado do Departamento de Segurança Cibernética do país.