Mikael Hamaoui analisa cada detalhe de seu mais recente projeto de condomínio em Miami, até mesmo as maçanetas.
Hamaoui, fundador e CEO da Riviera Horizons, empresa de desenvolvimento imobiliário e corretagem em North Bay Village, tem a missão de entregar o primeiro Pagani Residences do mundo.
Uma pergunta sobre as maçanetas foi feita por Horacio Pagani, criador da Pagani, montadora italiana de carros de luxo conhecida pelo design de carros de corrida e parceira no projeto.
"‘Como as portas abrem?’", lembrou Hamaoui que Horacio Pagani perguntou. "Para mim, pareceu uma pergunta um pouco boba. São portas. Você gira a maçaneta e elas abrem."
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Mas "para Horacio, a porta de um carro é o primeiro ponto de contato com um cliente. Era muito importante qual seria a primeira experiência."
Por isso, em vez de fechos tradicionais, foi utilizado um elegante sistema magnético. "Nada passa despercebido para ele", disse Hamaoui sobre Pagani.
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"Não se trata de tentar fazer um apartamento parecer ou ter a aparência de um carro deles", acrescentou. "Trata-se de pegar o DNA da marca que permitiu a ela projetar carros tão bonitos e aproveitar os elementos relevantes para o design de interiores de uma casa."
A atenção aos detalhes é vantagem competitiva, disse Hamaoui, diante do crescente número de empreendimentos de luxo ligados a marcas de automóveis.
Embora residências com marcas de redes hoteleiras, como Ritz-Carlton e Four Seasons, existam há décadas, empreendimentos estreitamente ligados a marcas de automóveis são uma tendência mais recente e crescente em Miami.
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Dois projetos em construção, e outros recentemente concluídos, consolidam Miami como a cidade com o maior número de residências de luxo associadas a marcas de carros nos Estados Unidos, atrás apenas de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A tendência atrai compradores estrangeiros ricos, para os quais marcas de carro representam status, disse Thomaï Serdari, da Escola de Negócios Stern, da Universidade de Nova York.
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Além da Pagani, cuja inauguração está prevista para o fim de 2028, a Porsche Design Tower, em Sunny Isles Beach, concluída em 2016, permite que os proprietários entrem de carro em elevadores que levam o veículo até uma garagem anexa ao apartamento.
O Bentley Residences, em construção também em Sunny Isles Beach, oferecerá a mesma comodidade. No centro de Miami, o Aston Martin Residences, inaugurado em 2024, foi projetado para se parecer com um navio.
Já o Mercedes-Benz Places, com inauguração prevista para 2028 em Brickell, distrito financeiro de Miami, oferecerá aos moradores serviços como um Mercedes com motorista e até emprestará carros aos moradores.
"Eles não precisam ter um carro, lidar com seguro, estacionamento e manutenção —têm simplesmente um estilo de vida sem atritos", disse Michael Stern, cuja empresa, JDS Development Group, construiu o Mercedes-Benz Places.
Residências desse tipo unem incorporador e montadora através de acordo de licenciamento. Algumas marcas acompanham o projeto até a fase de aprovação de materiais, mas poucas administram o imóvel.
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"O principal desafio está em traduzir perfeitamente uma identidade automobilística lendária para cada metro quadrado dos edifícios", disse German Coto, responsável pelo Aston Martin Residences, que vendeu quase todas as 391 unidades antes de concluir o empreendimento.
Liam Bailey, chefe global de pesquisa da Knight Frank, disse que marcas conhecidas também servem para atrair compradores que não conhecem a região.
"Muitas pessoas que compram em um mercado estrangeiro podem não estar familiarizadas com tributação, regulamentação e assim por diante", disse. "Nem sempre conhecem bons construtores. Uma marca de hotel ou de carro é uma validação."
Miami tem 76 empreendimentos residenciais de marca concluídos ou em desenvolvimento, atrás de Dubai, com 164, segundo dados da Knight Frank fornecidos ao New York Times. Nova York tem 48, mas nenhum é vinculado a marcas de automóveis.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Miami também lidera a concentração de compradores internacionais de imóveis nos EUA, segundo o relatório mais recente da Miami Association of Realtors. No ano passado, compradores estrangeiros gastaram US$ 4,4 bilhões (R$ 22,8 bi) em imóveis em Miami, 42% a mais que no ano anterior.
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O modelo de negócios de condomínios associados a grifes de carros parece estar funcionando na cidade, onde essas unidades são vendidas por preços mais altos do que as que não têm uma marca relacionada.
O preço mediano de venda na Porsche Tower ficou em torno de US$ 4,25 milhões (R$ 22 mi) no ano passado para as oito unidades vendidas, disse Ana Bozovic, fundadora da consultoria imobiliária Analytics Miami.
O valor é maior que o preço mediano de venda de US$ 2,13 milhões (R$ 11 mi) para edifícios de luxo e ainda maior que a mediana de US$ 740 mil (R$ 3,8 mi) para todos os condomínios de Sunny Isles Beach.
O conceito de condomínios de marca foi introduzido no condado de Miami-Dade por Gil Dezer, presidente da Dezer Development, em 2008, quando se associou a Donald Trump para criar as Trump Towers —três edifícios residenciais em Sunny Isles Beach.
Dezer está por trás da Porsche Design Tower e do futuro Bentley Residences.
Dezer, que possui uma coleção de 29 carros, entrou no mercado quando a Porsche apresentou a ideia à empresa no início dos anos 2010, época em que o país ainda se recuperava da Grande Recessão.
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"Nós dissemos: ‘O que a Porsche tem a ver com imóveis?’", afirmou Dezer. "Foi uma tempestade perfeita, já que não havia hipotecas na época. Então fomos atrás do comprador realmente de alto padrão, que não fosse sensível financeiramente."
A chave foi atender aos apaixonados por carros pelo design. Para a Porsche, o ponto de virada veio com o Dezervator, um elevador que permite aos moradores entrar com os carros e levá-los até o próprio apartamento.
Eles podem estacionar em uma garagem envidraçada e ver seus carros da sala de estar. Lionel Messi, Alicia Keys e Swizz Beatz já tiveram a Porsche Tower como residência.
Dezer também levou seu sistema de elevadores patenteado para a torre Bentley, de 62 andares e 216 unidades. As vendas começaram no início de 2022, e 60% do edifício, ou cerca de 130 residências, já foram vendidas. Os espaços restantes partem de US$ 5,8 milhões (R$ 30 mi) por uma unidade de três quartos.
Como os prédios associados a marcas de carros existem há pouco tempo, ainda não se sabe se eles serão vantajosos para incorporadores ou proprietários na hora da revenda, em comparação com outros tipos de residências de marca.