Porque é que ficamos mais roucos no verão?

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Nestes últimos dias, parece que toda a gente anda rouca. Há quem culpe o ar-condicionado, quem pense que está a ficar constipado e quem simplesmente acorde sem voz. Mas será coincidência ou a rouquidão é realmente mais frequente no verão? Doutora Vanessa Mendes, bom dia. Hoje melhor da voz.

Exatamente, hoje já estou um bocadinho melhor.

Por que a nossa voz parece falhar mais nesta altura do ano?

É verdade, é um facto que acontece e há uma explicação científica para este facto. A voz é produzida pelas nossas cordas vocais, que precisam de estar bem hidratadas e de vibrar de forma harmoniosa. No verão, juntam-se vários fatores que favorecem a irritação da laringe e das próprias cordas vocais. Perdemos mais água através da transpiração, o ar-condicionado torna o ar mais seco. Falamos mais alto também porque muitas das vezes estamos espanadas, em praia, nos concertos, como este fim de semana, festivais. E há ainda uma maior exposição ao álcool, ao tabaco e também a outros irritantes. E tudo isto naturalmente aumenta o esforço vocal e favorece a rouquidão.

Mas quando ficamos roucos, significa sempre que estamos com uma infeção ou não necessariamente?

Não, necessariamente. As infeções virais são uma causa frequente, mas estão longe de ser a única. A rouquidão também pode resultar do abuso vocal, da desidratação, por exemplo, também do refluxo gastroesofágico, as próprias alergias respiratórias ou também da exposição ao tabaco. Ou seja, podemos ficar roucos sem estarmos propriamente doentes. A voz também sofre quando lhe exigimos mais do que aquilo que ela consegue dar.

E quando a voz falha, o que é que devemos fazer? Como é que devemos agir?

Na maioria das situações, são medidas simples. Por exemplo, manter uma boa hidratação, evitar gritar ou falar durante longos períodos, fazer pausas vocais ao longo do dia, reduzir o consumo de álcool, evitar o tabaco e sempre que possível, evitar também ambientes muito secos. E há um mito importante: sussurrar não protege a voz.

Pelo contrário.

Exatamente. Pelo contrário, o sussurrar também pode irritar as cordas vocais. E quando estamos roucos, o ideal é falar menos e falar o mais normalmente possível.

Depois há também quem diga que as bebidas muito frias fazem mal à voz. É verdade?

Não existe evidência científica de que as bebidas frias lesionem as cordas vocais. Em algumas pessoas podem provocar uma sensação temporária de desconforto ou de maior tensão na garganta, mas não são por si só responsáveis pela rouquidão. Aqui o verdadeiro problema continua a ser a desidratação e o excesso de esforço vocal.

E quando é que uma rouquidão deixa de ser apenas um incómodo passageiro e merece uma ida ao médico?

Aqui há uma regra importante: qualquer rouquidão que persista mais de três semanas deve ser avaliada por um médico, sobretudo em fumadores ou pessoas com consumo excessivo de álcool. Também deve procurar assistência médica se surgirem alguns sintomas, como por exemplo, a dificuldade em engolir, a dor ao engolir, dificuldade em respirar, uma dor que persiste, uma sensação de corpo estranho.

Na garganta?

Isso mesmo. Também, por exemplo, uma sensação de um nódulo no pescoço ou uma perda de peso inexplicada. Na maioria dos casos, não será nada de grave, mas é importante excluir doenças das cordas vocais ou, mais raramente, até um cancro da laringe.

Claro. Portanto, isto quer dizer que nem toda a rouquidão significa necessariamente que estamos doentes.

É isso mesmo. A voz sofre com o calor, com a desidratação e aqui os excessos típicos do verão. Na maioria das vezes melhora com o repouso vocal, uma boa hidratação, evitando os fatores irritativos que já falamos. Mas quando a rouquidão persiste ou surge associada a sinais de alarme, não deve ser desvalorizada, porque a nossa voz não serve apenas para comunicar. É também um importante indicador da nossa saúde e muitas vezes a primeira forma que o nosso organismo tem de nos dizer que alguma coisa não está bem.

Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Doutora, obrigada.

De nada, obrigada.