O relatório "Data Centers em Portugal 2026", divulgado hoje pela consultora JLL, concluiu que as restrições de energia, capacidade da rede elétrica e a oferta de terrenos nos principais mercados europeus estão a levar promotores e fornecedores de serviços 'cloud' a procurar novas localizações para os centros de dados.
A IA deverá representar cerca de metade de toda a capacidade global dos centros de dados até 2030, segundo a JLL, que salienta uma mudança na localização dos novos projetos.
Os novos campus 'hyperscale' previstos para entrar em operação na Europa entre 2026 e 2028 localizam-se, em média, a 175 quilómetros dos principais 'hubs' europeus, contra uma distância média de 46 quilómetros nos projetos concluídos entre 2022 e 2025.
Neste contexto, Portugal surge como um dos mercados secundários com maior capacidade para beneficiar desta tendência, devido à combinação entre energia, localização geográfica, conectividade e disponibilidade de espaço.
A consultora destacou que os mercados capazes de garantir ligações à rede em grande escala, previsibilidade regulatória e terrenos adequados, como Portugal, deverão captar uma parcela crescente do investimento futuro no setor.
O relatório salienta que mais de 80% da eletricidade produzida em Portugal tem origem em fontes renováveis, enquanto os dados da REN indicam que as renováveis asseguraram 68% do consumo nacional de eletricidade em 2025.
Além disso, Portugal é também exportador líquido de energia desde 2016, uma característica que a consultora considera relevante num contexto em que o acesso à eletricidade tornou-se um dos principais fatores de competitividade para a instalação de infraestruturas de IA.
A posição geográfica do país é reforçada pela existência de vários cabos submarinos intercontinentais, entre os quais o 2Africa, com 45.000 quilómetros e ligação a 33 países, que chegou a Carcavelos em 2024.
A conectividade deverá ser reforçada a partir de 2027 com o cabo Nuvem, da Google, que deverá ligar Portugal aos Estados Unidos.
Entre os principais projetos em desenvolvimento está o Start Campus, em Sines, que prevê atingir 1.200 megawatts (MW) de capacidade, alimentada integralmente por energia renovável.
Outro projeto destacado pela JLL é o Merlin Edged Campus, em Vila Franca de Xira, que deverá arrancar com 180 MW de capacidade de tecnologias de informação, com potencial para chegar aos 300 MW.
Desta forma, a região de Lisboa tem uma capacidade planeada de 1.300 MW, segundo o relatório, que compara a escala destes projetos com as chamadas "gigafábricas" de IA que começam a surgir na Europa.
A JLL salienta ainda uma mudança na propriedade dos ativos em Portugal, com a entrada de fundos de infraestrutura especializados num mercado anteriormente dominado por operadores de telecomunicações.
Entre 2020 e 2025, cerca de 79% do volume transacionado em centros de dados na Europa resultou de um número reduzido de operações de grande dimensão, enquanto o capital internacional representou 86% das aquisições mais recentes.
Ainda assim, apesar do potencial de crescimento, a JLL identifica desafios para o desenvolvimento do setor, nomeadamente a necessidade de garantir emprego qualificado, desenvolver a cadeia de fornecimento nacional e assegurar transparência ambiental.
Ademais, informação divulgada hoje pela Savills, revela que Portugal está entre os dez mercados de centros de dados com maior crescimento a nível mundial desde 2024.
Portugal ocupa o décimo lugar entre os mercados de 'data centres' que mais cresceram em todo o mundo desde 2024, com uma expansão de 23% da capacidade instalada.
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