Mário Lopes é um dos 20 artistas estrangeiros convidados a participar no simpósio, que decorre durante o mês de outubro na Universidade Al-Turath, na capital do Iraque.
O Simpósio Internacional de Escultura de Bagdade estava previsto acontecer em janeiro deste ano mas, como contou o escultor à agência Lusa, "com o início dos conflitos no Médio Oriente, foi adiado para agora, esperando que as coisas estejam mais estáveis".
"Estou confiante que vai correr bem [em termos de segurança]. Se houvesse alguma situação preocupante, não iriam avançar com o evento", afirmou Mário Lopes, que tem seguido o evoluir do conflito naquela região com particular atenção:
"Claro que temos acompanhado as notícias e tem havido alguns pequenos ataques lá. Mas penso que as coisas estão controladas e, pessoalmente, sinto-me confiante e seguro. Não vou a medo".
No Iraque, o artista, natural de Leiria, vai trabalhar durante as próximas semanas uma pedra original de Omã, "uma espécie de marmorite", a partir da qual vai criar uma obra inspirada nos Jardins Suspensos da Babilónia.
"Será uma coluna - um fuste e uma peça principal - com cerca de 3,5 metros de altura. Vou chamar-lhe 'Horti pensilis', numa referência aos jardins suspensos".
As primeiras esculturas de Mário Lopes que se destacaram evocavam os jardins de pedra japoneses, influência do mestrado que completou na Universidade de Artes de Tama, no Japão, em 2012.
"Fui buscar essa ligação aos Jardins Suspensos da Babilónia para esta obra, porque me inspiro noutras culturas e na natureza. É uma boa ponte com a cultura iraquiana e toda a história que há por trás", afirmou.
A história do Iraque, tanto a primitiva como a contemporânea, constitui, referiu Mário Lopes, um aspeto relevante desta participação no Simpósio de Bagdade.
O artista recorda que toda a zona "é muito rica em cultura e história": "Estamos a falar da antiga Babilónia, o berço da nossa civilização".
Contudo, essa herança tem estado sob ameaça, com "todos os conflitos que houve com o Daesh [acrónimo árabe para o grupo terrorista Estado Islâmico]. Muitos dos monumentos e património cultural foram destruídos, em Mossul e noutras cidades".
Após os ataques e danos causados em museus, monumentos e estátuas iraquianos, o simpósio reveste-se de "uma importância muito grande", porque "20 escultores internacionais, já com currículo e experiência enorme vão criar 20 esculturas para permanecerem em Bagdade", enriquecendo o património da capital.
"É um evento muito rico e muito interessante nesta fase do Iraque, que se está a reestruturar depois de todos os conflitos que teve nas últimas décadas", acrescentou.
Desde 2012 que Mário Lopes participa em simpósios internacionais. Depois da Argentina, Arábia Saudita, Japão, Alemanha, China, Taiwan ou Irão, o Iraque é o próximo destino.
"É um país novo e uma cultura nova e estou bastante entusiasmado para ir", concluiu.
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