O Presidente timorense, José Ramos-Horta, advertiu hoje para a necessidade de valorizar os profissionais que trabalham nos setores da saúde e educação, que desempenham um papel essencial na construção do capital humano essencial para o desenvolvimento do país.
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“Não podemos exigir qualidade na educação e na saúde sem garantir condições dignas de trabalho e remunerações adequadas para aqueles que prestam estes serviços essenciais”, pode ler-se num discurso de Ramos-Horta, divulgado à imprensa no âmbito da abertura da quarta sessão legislativa da VI legislatura do Parlamento Nacional.
O discurso de 30 páginas, o último que faz no Parlamento Nacional no âmbito do atual mandato, que termina em maio de 2027, faz uma reflexão sobre o caminho percorrido por Timor-Leste e os desafios para o futuro do país, mas não foi lido na íntegra pelo chefe de Estado na cerimónia.
“É particularmente preocupante que um médico, depois de seis anos de formação geral, possa auferir apenas cerca de 615 dólares (533 euros) por mês. Um rendimento desta natureza não parece refletir adequadamente a complexidade, a responsabilidade, o risco e o valor dos serviços que lhe são exigidos”, criticou o chefe de Estado.
“Esta situação merece uma reflexão urgente”, afirmou o também prémio Nobel da Paz, no discurso, de 30 páginas distribuído na íntegra à imprensa e aos participantes na cerimónia, mas que o chefe de Estado resumiu na sua intervenção, no qual convida a uma reflexão sobre o caminho percorrido e futuro de Timor-Leste.
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Segundo o Presidente timorense, a mesma situação aplica-se aos profissionais do setor da educação, que “desempenham uma missão essencial na construção do nosso capital humano”.
“Apelo a que esta questão seja devidamente considerada durante o debate da Lei do Orçamento Geral do Estado para 2027, através da apresentação de propostas do Governo e dos grupos parlamentares destinadas à revisão e melhoria das condições remuneratórias destas carreiras especiais”, salientou José Ramos-Horta.
O chefe de Estado defendeu também que o aumento do salário deve ser acompanhado por um “verdadeiro programa de formação contínua, regular e permanente”, que no setor da saúde assume uma importância decisiva nas carreiras de saúde.
“Trata-se de reconhecer o valor do trabalho, atrair e reter profissionais qualificados, reduzir a necessidade de procurar oportunidades no estrangeiro e garantir que Timor-Leste dispõe de professores e profissionais de saúde capazes de responder às necessidades da nossa população”, acrescentou o Presidente.
Timor-Leste tem cerca de 1,3 milhões de habitantes, 38,1% (510 mil pessoas) dos quais na faixa etária entre os 15 e os 35 anos.
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Mas, para o Presidente timorense, o país só terá vantagem daquela realidade demográfica se os jovens tiverem acesso a bons serviços de saúde, nutrição adequada, educação de qualidade, competências profissionais e digitais, domínio de línguas e acesso a empregos dignos.