"Deixo o court com um sorriso. Era disto que precisava." Alcaraz tentou, lutou e até vomitou — mas ainda não deu para mais

Ainda antes do jogo dos quartos de final do US Open, ainda antes da maratona que o levou noite dentro em Nova Iorque, Carlos Alcaraz sublinhou que as expectativas que tinha antes do Grand Slam permaneciam no mesmo sítio. Numa publicação da Tennis TV nas redes sociais, onde lhe era atribuída uma declaração em que dizia que já se sentia capaz de ganhar o troféu depois das quatro eliminatórias iniciais, o tenista espanhol apressou-se a comentar: “Eu não disse isso”.

Horas depois, a afirmação de Carlos Alcaraz tornou-se ainda mais relevante. Numa autêntica maratona de quatro horas e meia, o espanhol perdeu com Ben Shelton ao fim de cinco sets e caiu nos quartos de final do US Open, desperdiçando a oportunidade de ganhar pela terceira vez em Flushing Meadows e deixando o norte-americano na rota do compatriota Frances Tiafoe nas meias-finais. O longo jogo entrou pela madrugada de Nova Iorque, tornando-se mesmo a partida a terminar mais tarde na história do US Open: eram 3h33 da manhã na cidade dos EUA, ultrapassando as 2h50 dos quartos de final de 2022 também com Carlos Alcaraz e contra Jannik Sinner.

Carlos Alcaraz throwing up in his towel during his match against Ben Shelton at the U.S. Open.

It’s past 2 in the morning.

He's giving it his all. pic.twitter.com/hz6908jJPQ

— The Tennis Letter (@TheTennisLetter) September 9, 2026

Carlos Alcaraz leaving the U.S. Open with a smile on his face after losing a heartbreaker at 3:30 am.

You have to respect this guy. ???? pic.twitter.com/26C7DO8cky

— The Tennis Letter (@TheTennisLetter) September 9, 2026

No decorrer do jogo, ao longo das mais de quatro horas, foi possível assistir ao crescente desgaste do espanhol. Alcaraz ganhou o primeiro set no tiebreak, perdeu os dois seguintes, ganhou o quarto e voltou a perder o quinto, desta feita com recurso a um super tiebreak decisivo e dramático. Na antecâmara do derradeiro parcial, o tenista espanhol pareceu render-se à indisposição e aos limites do corpo e vomitou para uma toalha durante uma pausa, num momento que não abordou após o final da partida — e que até tentou esconder das câmaras, pedindo ajuda ao árbitro, mas sem grande sucesso.

“Como tinha dito antes de o torneio começar, a minha expectativa era aparecer, competir, jogar este tipo de jogos e estar saudável. Foi renhido, foi muito renhido. Por isso, não vou ficar apenas desapontado por não ter conseguido a vitória no fim. Estou só feliz. Estou orgulhoso de mim mesmo, da maneira como lutei”, atirou o tenista de 23 anos, que apareceu no US Open depois de quatro meses de paragem devido a uma lesão no pulso.

“Depois do terceiro ‘set’ estava muito cansado fisicamente, mas encontrei uma maneira de puxar por mim e de dar um extra. No quinto ‘set’ comecei a sentir-me melhor e melhor, mas estava a jogar contra um dos melhores. Ele é uma besta. É um jogador inacreditável, poderoso. Teve a capacidade de jogar muito, muito bem em todas as situações. Tenho de lhe dar esse crédito. Mas deixo o ‘court’ feliz. Deixo o ‘court’ com um sorriso, saudável, e era disto que eu precisava”, completou, rendendo-se em elogios a Ben Shelton, que vai disputar a terceira meia-final de Grand Slam da carreira, sendo que nunca chegou a uma final.

Ben Shelton and Carlos Alcaraz.

Thank you. pic.twitter.com/VgJYW2f9mK

— The Tennis Letter (@TheTennisLetter) September 9, 2026

Depois dos tais quatro meses de paragem, não deixa de ficar a ideia de que Carlos Alcaraz caiu no primeiro encontro em que foi realmente levado ao limite. Venceu Roman Safiullin na primeira ronda em três sets, perdeu o primeiro set para Jaime Faria na segunda ronda, mas dominou nos três seguintes, venceu Wu Yibing em três sets na terceira ronda e, finalmente, também venceu Tommy Paul em três sets nos oitavos de final.

Ou seja, até Ben Shelton, só mesmo Jaime Faria tinha vencido um parcial ao espanhol no US Open — uma tranquilidade que foi permitindo que Alcaraz chegasse aos quartos de final com a aparente motivação de que podia mesmo voltar a ganhar em Flushing Meadows, mas que acabou por esbarrar na realidade de que ainda precisa de recuperar algum ritmo para aguentar maratonas de mais de quatro horas. Depois do último Grand Slam do ano, o espanhol ainda deve marcar presença na Laver Cup, para além de Tóquio, Shanghai e Paris, do Six Kings Slam em Riade e do ATP Finals em Turim, sem esquecer a Taça Davis em novembro.

Um “here we go” pouco comum: depois de falhar Roland Garros e Wimbledon, Carlos Alcaraz vai voltar no US Open