As taxas Euribor subiram de forma muito acentuada em setembro, depois de o Banco Central Europeu ter subido as suas taxas diretoras pela segunda vez este ano. A consequência é conhecida: quem tiver o contrato de crédito à habitação a ser revisto em outubro vai sentir uma forte subida da prestação a pagar ao banco. Confira o seu caso
O cenário continua cercado de grande incerteza, com riscos de subida para a inflação e riscos de descida para o crescimento económico”, Christine Lagarde, a 28/09/2026 no Parlamento Europeu
Quem tiver um contrato de crédito à habitação a ser revisto em outubro vai sentir um forte aumento da prestação a pagar ao banco, podendo, nalguns cenários, ter uma subida na prestação superior a 100 euros.
A subida resulta da aceleração que se fez sentir durante o mês de setembro nas taxas Euribor, já depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter aumentado a sua principal taxa diretora pela segunda vez este ano e ter deixado um sentimento nos mercados de que, face às pressões inflacionistas existentes, a instituição liderada por Christine Lagarde voltará a subir taxas de juro uma vez mais até ao final do ano.
Na reunião de 10 de setembro, o BCE subiu a sua taxa diretora para 2,5% e alterou as suas previsões económicas para a zona euro: manteve a previsão de uma taxa de inflação média para 2026 de 3%, mas reviu em alta as projeções para 2027 e 2028, para 2,5% e 2,1%, respetivamente. Já as previsões para o crescimento económico no conjunto dos países que partilham a moeda única foram revistas em alta para 0,9% em 2026 e 1,4% em 2027, refletindo que a atividade económica resiliente face à subida de juros.
Foi neste contexto que a líder do BCE esteve no Parlamento Europeu esta semana a responder aos eurodeputados e manteve que “o cenário para a zona euro continua cercado de grande incerteza, com riscos de subida para a inflação e riscos de descida para o crescimento económico”, dando sinais, mais uma vez, de que os dados que vierem a ser divulgados até à próxima reunião do BCE, no final de outubro, serão determinantes para a decisão que o banco central irá tomar.
Um desses dados será conhecido já esta sexta-feira, quando o Eurostat divulgar os dados da inflação de setembro. E será um dado determinante uma vez que a taxa de inflação homóloga, que em janeiro era de 1,6%, em agosto já era de 3,2%, depois de três meses consecutivos a acelerar.
Ainda sem serem conhecidos estes dados, já há, no entanto, quem antecipe que até ao final do ano o BCE terá de subir taxas, como é o caso do banco Goldman Sachs, que, ainda assim, está menos pessimista que os investidores nos mercados. “Os investidores esperam que o BCE acelere o ritmo dos aumentos das taxas de juro, num contexto de crescimento económico resiliente e de renovadas pressões inflacionistas no setor energético. No entanto, embora a Goldman Sachs Research preveja mais um aumento em dezembro de 2026, os nossos economistas consideram improvável que o BCE mantenha as taxas bem acima dos 3%”, tal como está a ser descontado pelos mercados. Também os analistas do Bank of America seguem a mesma previsão, de uma subida dos juros em dezembro, face ao aumento dos preços do gás e do petróleo, às tensões geopolíticas persistentes e aos sinais limitados de um avanço no conflito com o Irão, tudo indícios que ameaçam manter os mercados energéticos em situação de escassez durante a época de inverno, período de pico de procura.
Prestação com maior subida desde 2023
Independentemente do que vier a acontecer, certo é que quem tiver o seu contrato de crédito à habitação a ser revisto em outubro, já irá sentir o efeito da subida das taxas Euribor.
Num contrato de 200 mil euros a 30 anos, indexado à Euribor 6 meses, com um spread (margem do banco) de 1%, a subida da prestação poderá chegar quase aos 63 euros. Para o mesmo tipo de contrato, mas indexado à Euribor 12 meses, a subida deverá chegar aos 115 euros.
Estas subidas expressivas da prestação serão mesmo as maiores desde 2023. No caso da Euribor 6 meses, a taxa média de setembro deverá ser de 2,914% (falta o dado desta quarta-feira), o que representa uma subida de 0,592 pontos percentuais face à taxa média que serviu de base à última revisão, a taxa de março. Esta subida é a maior desde outubro de 2023.
No que diz respeito à Euribor 12 meses, a taxa de setembro deverá ficar perto dos 3,246%, o que representa uma subida de 1,074 pontos percentuais face à taxa média que serviu de base à última revisão, a taxa de setembro de 2025. Esta subida é a maior desde novembro de 2023.
Confira o seu caso:
Quanto já aumentou e como vai evoluir a prestação da casa
Empréstimo a 30 anos com spread de 1% || Valores de setembro até dia 29
EURIBOR 3 MESES
| Empréstimo de 50 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 251,38 | |
| jan/25 | 233,79 | -17,59 |
| abr/25 | 223,16 | -10,63 |
| jul/25 | 210,84 | -12,32 |
| out/25 | 211,99 | 1,15 |
| jan/26 | 212,61 | 0,62 |
| abr/26 | 214,13 | 1,52 |
| jul/26 | 220,12 | 5,99 |
| out/26 | 227,95 | 7,83 |
| Empréstimo de 100 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 502,75 | |
| jan/25 | 467,57 | -35,18 |
| abr/25 | 446,32 | -21,26 |
| jul/25 | 421,68 | -24,64 |
| out/25 | 423,97 | 2,30 |
| jan/26 | 425,21 | 1,24 |
| abr/26 | 428,26 | 3,04 |
| jul/26 | 440,24 | 11,99 |
| out/26 | 455,90 | 15,66 |
| Empréstimo de 150 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 754,13 | |
| jan/25 | 701,36 | -52,77 |
| abr/25 | 669,48 | -31,88 |
| jul/25 | 632,52 | -36,96 |
| out/25 | 635,96 | 3,45 |
| jan/26 | 637,82 | 1,86 |
| abr/26 | 642,38 | 4,56 |
| jul/26 | 660,36 | 17,98 |
| out/26 | 683,85 | 23,49 |
| Empréstimo de 200 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 1 005,51 | |
| jan/25 | 935,15 | -70,36 |
| abr/25 | 892,64 | -42,51 |
| jul/25 | 843,36 | -49,28 |
| out/25 | 847,95 | 4,59 |
| jan/26 | 850,43 | 2,48 |
| abr/26 | 856,51 | 6,08 |
| jul/26 | 880,48 | 23,97 |
| out/26 | 911,80 | 31,32 |
EURIBOR 6 MESES
| Empréstimo de 50 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 246,20 | |
| abr/25 | 221,64 | -24,56 |
| out/25 | 214,08 | -7,57 |
| abr/26 | 219,85 | 5,78 |
| out/26 | 235,60 | 15,75 |
| Empréstimo de 100 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 492,40 | |
| abr/25 | 443,29 | -49,11 |
| out/25 | 428,15 | -15,13 |
| abr/26 | 439,70 | 11,55 |
| out/26 | 471,20 | 31,50 |
| Empréstimo de 150 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 738,59 | |
| abr/25 | 664,93 | -73,67 |
| out/25 | 642,23 | -22,70 |
| abr/26 | 659,55 | 17,33 |
| out/26 | 706,80 | 47,24 |
| Empréstimo de 200 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 984,79 | |
| abr/25 | 886,57 | -98,22 |
| out/25 | 856,30 | -30,27 |
| abr/26 | 879,40 | 23,10 |
| out/26 | 942,40 | 62,99 |
EURIBOR 12 MESES
| Empréstimo de 50 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 236,87 | |
| out/25 | 216,00 | -20,87 |
| out/26 | 244,75 | 28,75 |
| Empréstimo de 100 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 473,73 | |
| out/25 | 432,00 | -41,73 |
| out/26 | 489,50 | 57,50 |
| Empréstimo de 150 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 710,60 | |
| out/25 | 648,00 | -62,60 |
| out/26 | 734,25 | 86,25 |
| Empréstimo de 200 mil euros | ||
| Data | Pagava (€) | Variação (€) |
| out/24 | 947,47 | |
| out/25 | 864,00 | -83,46 |
| out/26 | 979,00 | 115,00 |
A única boa notícia surge do facto de os detentores de crédito à habitação em Portugal, perante a subida das taxas de juro, se terem vindo a proteger do agravamento das prestações. Em julho, segundo dados do Banco de Portugal, do total de crédito à habitação existente, 47,01% do total estava contratado a taxa variável, mas 48,27% já estava a taxa mista (um período normalmente curto de taxa fixa e depois de taxa variável). Já os contratos a taxa fixa representavam apenas 4,71% do total.
Entre os contratos a taxa variável, a maioria utiliza a Euribor 6 meses (39,87% do total), seguido da Euribor 12 meses (31,26%) e da Euribor 3 meses (24,4%).
NOTA 1 | Como foram feitos os cálculos
Os cálculos partem do princípio de que há três anos o capital em dívida era de 50, 100, 150 ou 200 mil euros, consoante o exemplo, e que o prazo de pagamento era de 30 anos, com um spread (margem do banco) de 1%. A partir desse ponto, a cada revisão do contrato, aplica-se a taxa de juro correspondente e diminui o montante em dívida e o prazo de pagamento do crédito.
NOTA 2 | O que são as taxas Euribor
Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. As taxas Euribor baseiam-se nas taxas de juro que um conjunto de bancos europeus está disposto a pagar para emprestar dinheiro uns aos outros. No cálculo, os 15% mais altos e mais baixos de todas as cotações recolhidas são eliminados. As restantes taxas são calculadas como média e arredondadas a três casas decimais. O valor das taxas Euribor é determinado e publicado diariamente. Existem cinco taxas Euribor diferentes, todas com diferentes maturidades (uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses).