Presidente garante que Venezuela "mantém propriedade e soberania" sobre petróleo

A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, garantiu que o país mantém o controlo do petróleo ao abrigo do acordo assinado com Washington, apesar de declarações em contrário do líder norte-americano Donald Trump.

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“É preciso que uma coisa fique absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre os seus recursos”, disse Rodríguez, num discurso transmitido pela televisão pública no sábado.

Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump anunciou que o país iria assumir o controlo de 65 mil milhões de barris das reservas de petróleo do país sul-americano, no “maior acordo de petróleo da história mundial”.

Mas Delcy Rodríguez defendeu o acordo, sublinhando que permitirá à Venezuela beneficiar de “capital, tecnologia e capacidade operacional para apoiar a recuperação de uma indústria estratégica severamente impactada pelas sanções”.

“Por isso, escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos da América, de forma a transformar a nossa disputa em cooperação. E esta cooperação em investimento, produção, bem-estar e resultados concretos para os venezuelanos”, apontou.

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“Agradeço ao Presidente Donald Trump, ao Secretário [de Estado norte-americano Marco] Rubio e à sua administração pelos esforços que a sua administração, bem como a nossa, e toda a equipa venezuelana, dedicaram para alcançar este acordo”, acrescentou Rodríguez, quase nove meses depois da captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo exército dos EUA.

“Queremos ser uma potência energética, um grande produtor de petróleo, um exportador significativo de gás e desenvolver fortemente a indústria petroquímica nacional”, concluiu.

Rodríguez esclareceu que o país receberia ‘royalties’ (compensações financeiras correspondentes ao preço dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais) mínimas de 16% sobre as operações e impostos sobre o rendimento de 34%

“Em termos concretos, isto significa que por cada barril produzido e vendido, quase 19 dólares [16,4 euros] vão diretamente para o nosso país”, afirmou.

A Presidente interina da Venezuela revelou que o acordo terá a duração de 25 anos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhões de barris por dia.

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Tendo como referência o preço de 65 dólares (56 euros) por barril, o país poderá receber 209,3 mil milhões de dólares (180,7 mil milhões de euros) com o acordo, acrescentou.

Na sexta-feira, Rodríguez tinha revelado que o acordo prevê “o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial comprovado de 65 mil milhões de barris de petróleo” e “um investimento de mais de 100 mil milhões de dólares [86 mil milhões de euros]”.

A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimada em 303 mil milhões de barris de crude, o que representa cerca de 17% da oferta mundial, segundo a Administração de Informação Energética norte-americana.

No sábado, o partido da oposição da Venezuela União e Mudança defendeu que o acordo petrolífero com os Estados Unidos deve ser tornado público, criticando a gestão pública do setor desde 2023.