Primeiro-ministro do Nepal vai discursar na ONU na sequências das cheias

Naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que assumiu o cargo, a 27 de março passado, a decisão de Shah de liderar pessoalmente a delegação nepalesa responde à urgência de procurar apoio internacional após inundações ocorridas a 26 de agosto, indica hoje o jornal local Kathmandu Post.

O próprio Shah compareceu na quarta-feira perante o parlamento nepalês para alertar que a crise no distrito de Rasuwa, desencadeada por um colapso glaciar no rio Bhote Koshi, é o pior desastre deste tipo registado na região.

"Este acontecimento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos", afirmou o líder.

Durante a sessão, Shah salientou que o Nepal é incapaz de fazer face a esta escala de destruição sozinho e anunciou que exigiriam que a comunidade internacional assumisse a sua parte naquilo que definiu como uma "responsabilidade partilhada" global para mitigar o impacto climático.

O debate geral desta 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 22 a 28 de setembro sob o lema "Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que cumpre para todos".

Neste fórum multilateral, que concede um voto igualitário a cada um dos seus 193 Estados-membros, a intervenção do primeiro-ministro nepalês está agendada para, 24 de setembro, de acordo com o calendário divulgado pela imprensa local.

O último balanço divulgado hoje pelas autoridades nepalesas elevou para mais de 1.300 o número de mortos devido às inundações devastadoras ocorridas a 26 de agosto, enquanto o total de desaparecidos ronda os 5.000, entre os quais pelo menos 606 cidadãos estrangeiros.

As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas e mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, tendo permitido, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas.

As cheias repentinas de 26 de agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens.

Causaram também danos significativos em centrais hidroelétricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos.

Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações.

A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.

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