Primeiros contentores com ajuda recolhida em Portugal chegam a La Guaira

A chegada foi confirmada à agência Lusa por Jesus Testa, porta-voz da Venexos, uma das associações envolvidas na operação, durante a entrega das paletes às distintas associações locais, acto que decorreu na sede da empresa de logística Almacenadora X7, em Maiquetía, La Guaira.

"Esperamos receber aproximadamente 240 toneladas entre alimentos, medicamentos e artigos de higiene pessoal, para ser entregues e distribuídos, na sua maioria, no estado de La Guaira, que é a zona onde ocorreu o epicentro do sismo na Venezuela e onde temos o maior número de pessoas afetadas", explicou.

Jesus Testa, que é embaixador de Boa Vontade da Venezuelanos, explicou ainda que se trata de ajuda humanitária que foi recolhida em Portugal continental e na Madeira, num esforço conjunto de várias organizações, que começou assim que ocorreu o duplo sismo de junho.

A iniciativa, disse, foi possível graças à Venexos, à Associação Amigos da Diáspora e dos Emigrantes Madeirenses (AADEM), à Associação Diáspora no Mundo (ADNM), à Cooperativa Luso-latina Huellatina, à Associação Venezuela Amiga, à Venecom e à Associação Luso-venezuelana – Alusven.

A ajuda já recebida foi entregue a 13 associações locais, entre elas, a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, o Lar Geriátrico de Maracay, a "Regala Una Sonrisa" (Oferece um sorriso), as Peregrinas de El Junquito, a Venexos, a Consulta Salud (Saúde), e a Ajuda-Caritativa.

A 07 de setembro a Associação Amigos da Diáspora e os Emigrantes Madeirenses (AADEM) anunciou que previa distribuir a luso-venezuelanos afetados pelo duplo sismo de agosto, nas próximas semanas, 240 toneladas de ajuda humanitária angariada em Portugal.

O anúncio foi feito à Lusa pelo presidente da AADEM, Moisés Rodrigues, que se esteve em Caracas a tratar do processo de desalfandegamento da ajuda e a verificar a capacidade das associações portugueses locais para a receber.

Segundo Moisés Rodrigues, "no total, são 10 contentores, sete saídos de Lisboa e três do Porto de Leixões, com uma carga total de 240 toneladas" de ajuda humanitária recolhida pela sociedade civil em Portugal, por venezuelanos e lusodescendentes.

"Nestes contentores temos alimentos, medicamentos, insumos médicos, desde máscaras, luvas, batas, material cirúrgico, fraldas para bebés e adultos, e artigos de uso pessoal", precisou, sublinhando que a angariação foi feita sabendo que a entrega demoraria algum tempo a chegar à Venezuela, porque o envio seria por via marítima devido a questões de logística internacional.

Entretanto, já foram feitos contactos com associações nas cidades de Los Teques e Valência, além da Cáritas Valência e da Cáritas Caracas, que vão receber a segunda remessa de ajuda humanitária.

"Nesta primeira fase, as organizações já contactadas vão receber entre 10 a 15 paletes cada uma e, por isso, foi importante determinar qual a capacidade instalada de cada uma delas", frisou Rodrigues.

O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.

Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

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