Proibição das bets era necessária? Colunistas debatem efeitos no futebol

Então, isso não é uma coisa que me constranja. Eu proibiria a publicidade imediatamente, mas daria uma carência para os clubes cuidarem das suas vidas, dos seus contratos. Juca Kfouri

O colunista José Trajano avaliou que a medida atingiu uma cadeia inteira que se acostumou ao dinheiro das casas de apostas, e não só os clubes. Para ele, a decisão foi "forte" e "necessária", ainda que tomada em um momento politicamente sensível.

Os clubes estão satisfeitos, sim, porque dependiam muito das bets. Mas não eram só eles. Emissoras de televisão, vários companheiros nossos têm contratos para divulgar bets, influências, podcasts, não sei mais o quê.

Foi uma coisa impressionante. Muito dinheiro correndo. Foi uma decisão forte, necessária, mas não deixa de ter um caráter eleitoreiro. José Trajano

Trajano também apontou que o cenário pode mudar em pouco tempo, já que a proibição veio por medida provisória. Na leitura dele, o debate deve seguir aberto e com pressão dos clubes.

A bet pode voltar. É uma medida provisória que dura 120 dias. E esse novo Congresso que será eleito agora no domingo decidirá se vai valer ou não. Vamos esperar. Muita gente está esperando passar esses três meses de dificuldade, de dinheiro não entrar, mas depois pode tudo voltar. José Trajano

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O colunista Rodrigo Mattos levou a discussão para o caixa dos clubes e disse ver risco de crise financeira e insegurança jurídica. Para ele, os times assumiram compromissos com base em uma regulação que o próprio governo defendia, e a mudança repentina bagunça o mercado.

Os clubes estabeleceram compromissos com base numa regulação feita pelo governo. Todos vão ter que fazer revisões de planejamento de contratações, de gastos de futebol, vender jogador a partir do ano que vem.

Vender jogador, reduzir folha salarial, pegar patrocínio por preços muito mais baixos e o futebol brasileiro vai ficar menor e retroagir três, quatro anos. Rodrigo Mattos

O colunista também relatou que, no curto prazo, a tendência é de "stand by" nos contratos, com dirigentes esperando o desfecho da MP e eventuais restrições de publicidade. Ele citou ainda uma reunião com o governo que não avançou.

Ninguém ainda rompeu os contratos. Estão todos com contratos. O do Flamengo na Betano, por exemplo, se decidiu por um stand by; estão esperando para ver o que vai acontecer.

A tendência é acontecer com a maior parte dos contratos: ficar esperando durante três, quatro meses para saber o que vai sair da MP. Rodrigo Mattos

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Juca Kfouri disse entender o argumento de transição para os clubes, mas sustentou que a correção não pode vir "à custa" da saúde pública. Ele afirmou que ouviu de um especialista que não havia espaço para carência diante do tamanho do problema.

Já Trajano citou que o governo também mirou apostas ilegais e afirmou ter visto notícia sobre derrubada de milhares de sites, além de uma percepção de apoio popular ao endurecimento. Mattos, por sua vez, defendeu que, se a sociedade quiser restrição total, isso deveria ter sido desenhado com prazo maior de adaptação.

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