Vladimir Putin afirmou na terça-feira no Quirguizistão que o surpreendia a postura de Tóquio "sobre a Rússia em geral", embora não a reação à deslocação a Iturup (Etorofu, para o Japão), a principal ilha das Curilas, administradas por Moscovo e reivindicadas por Tóquio.
"A difícil situação das relações bilaterais deve-se à agressão russa contra a Ucrânia, pelo que é inaceitável qualquer afirmação que pretenda atribuir a responsabilidade à parte japonesa", reagiu o porta-voz governamental, numa conferência de imprensa em Tóquio.
Minoru Kihara considerou, no entanto, ser "vital gerir adequadamente as relações bilaterais" por a Rússia ser um país vizinho, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
Assegurou ainda que o executivo da primeira-ministra Sanae Takaichi vai continuar a responder a Moscovo "da forma mais conveniente, tendo sempre em conta o interesse nacional".
Nas declarações que proferiu em Bishkek, Putin afirmou que a Rússia não deu "nem um único passo para piorar as relações russo-japonesa" e que as tratou "com o máximo cuidado".
"O deteriorar das nossas relações é inteiramente culpa do executivo japonês. O que fizemos contra o Japão? Absolutamente nada", declarou, citado pela agência de notícias russa TASS.
As relações bilaterais agravaram-se após o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando o Japão se juntou às sanções contra a Rússia e Moscovo incluiu Tóquio na lista de países hostis.
A tensão aumentou no início de agosto, quando Putin realizou a primeira visita desde que chegou ao poder, em 2000, às ilhas designadas pelo Japão como Territórios do Norte (Kunashiri, Etorofu, Shikotan e Habomai, nas Curilas).
As quatro ilhas integram o arquipélago das Curilas, formado por 56 ilhas, que se estende por 1.300 quilómetros.
Na altura, Takaichi classificou a deslocação de Putin como "absolutamente inaceitável" e afirmou que a ação feria os sentimentos do povo japonês.
Em sinal de protesto, Moscovo e Tóquio convocaram os respetivos embaixadores.
Apesar de descobertas por navegadores russos, as Curilas passaram a integrar o Japão em 1875, ao abrigo do Tratado de São Petersburgo.
Foram incorporadas na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em que o Japão foi um dos países derrotados, no âmbito do Tratado de São Francisco.
Em 1956, os dois países assinaram uma declaração que restabelecia as relações diplomáticas e abria caminho para uma futura devolução das ilhas.
Os territórios em disputa situam-se no oceano Pacífico, entre a ilha japonesa de Hokkaido e a península russa de Kamchatka, uma região rica em recursos pesqueiros.
Leia Também: Bombeiros japoneses pedem que "não arrume os sapatos" dos socorristas