"Estão a pedir-nos para retomar as negociações, estão a pedir encontros presenciais, mas não negociamos com terroristas", disse Putin, questionado sobre as declarações de Volodymyr Zelensky, que alertou a aviação civil para os riscos no espaço aéreo russo, sublinhando que não era esse o alvo.
"Se isto foi dito em voz alta, é simplesmente uma declaração de terrorismo de Estado", afirmou Putin, em conferência de imprensa transmitida pela agência de notícias russa TASS.
Antes, Zelensky, alertou no seu discurso diário, dirigindo-se "às companhias aéreas que utilizam o espaço aéreo russo, todas as seguradoras e todos aqueles que ainda servem os principais aeroportos russos", que os céus russos estão "a tornar-se extremamente perigosos".
Embora não seja um alvo "em si", a aviação civil "não tem lugar em céus infestados por drones", adiantou.
"A Ucrânia não quer que se percam vidas inocentes. É por isso que estamos a alertar os nossos parceiros: os dias de espaço aéreo seguro na Rússia acabaram", continuou.
Esta, defendeu, é uma resposta "justa" ao "desejo da Rússia de prolongar a guerra e intensificar a escala dos ataques".
"O espaço aéreo sobre a Rússia é atualmente para drones. Não para a aviação civil. Enquanto a guerra continuar", insistiu.
O tráfego aéreo de e para os aeroportos russos é regularmente interrompido pela aproximação de drones ucranianos, cujo número tem aumentado nos últimos meses.
A Ucrânia, afirmou Zelensky, responderá favoravelmente aos pedidos dos seus parceiros para não interromper os voos de e para a Rússia "em horários específicos e para destinos específicos", no "espírito da diplomacia e das negociações".
Mais de quatro anos e meio após o início da invasão russa da Ucrânia, a Rússia tem atacado Kiev de forma praticamente ininterrupta desde quinta-feira, sobretudo com drones, numa campanha de bombardeamentos dirigida principalmente contra armazéns de supermercados e outras empresas dedicadas ao comércio a retalho.
Pelo menos 12 pessoas morreram hoje em Kiev e arredores, num novo ataque da Rússia com mísseis balísticos e drones contra a região da capital, disse o Serviço de Emergências da Ucrânia.
Seis das vítimas mortais conhecidas até ao momento são trabalhadores da ferroviária pública ucraniana, Ukrzaliznytsia, foi anunciado pela própria empresa. O ataque russo desta madrugada teve as infraestruturas ferroviárias entre os principais alvos.
Outras três pessoas morreram em ataques a infraestruturas industriais e a um posto de abastecimento na localidade de Borispil, perto de Kiev.
Vários edifícios residenciais sofreram danos devido à queda de drones ou mísseis russos na região.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andri Sibiga, escreveu na rede social X que o novo ataque contra Kiev demonstra que, ao de Volodymyr Zelensky, que propôs um cessar-fogo e solicitou uma reunião entre os presidentes para discutir o fim da guerra, o líder do Kremlin, Vladimir Putin, não está interessado na paz.
Sibiga apelou para que se intensifique a pressão sobre a Rússia com a aprovação, pelo parlamento dos EUA, de uma lei promovida, entre outros, pelo falecido senador republicano próximo do líder norte-americano Donald Trump, Lindsey Graham, que conferiria poderes adicionais ao Presidente para impor sanções secundárias sob a forma de direitos aduaneiros a quem continuar a financiar o esforço de guerra russo através da compra de petróleo.
O chefe da diplomacia ucraniana apelou também a novas sanções internacionais que afetem a capacidade da Rússia de continuar a produzir mísseis balísticos e instou os parceiros a destinarem os ativos russos congelados, sobretudo na União Europeia, à ajuda à Ucrânia.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e «desnazificar» o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).