Quantidade de mulheres habilitadas para dirigir caminhões cresce seis vezes mais do que a de homens em SP | G1

Os dados mostram que, no período, o número de mulheres habilitadas para conduzir caminhões e carretas aumentou 39%, enquanto entre os homens o crescimento foi de 6%.

No transporte coletivo, o cenário também mudou. Hoje, quase 100 mil mulheres são habilitadas para dirigir ônibus no estado de São Paulo, enquanto quase 10 mil possuem habilitação para conduzir caminhões.

A mudança já é percebida por quem trabalha há décadas no setor. O cobrador Abenilson Jorge Jesus, com mais de 30 anos de profissão, afirma que quando começou a trabalhar não havia mulheres ao volante.

Noemy Santos, caminhoneira há 15 anos — Foto: Fernando Grolla

"Eu acho muito importante trabalhar com a mulher. É uma forma de a mulher se destacar dirigindo", disse.

Para a passageira Elisângela Campos, que tirou a habilitação para carro há cerca de um ano, dirigir representa independência.

"Quando você pega no volante, você se sente independente. Você pega o carro e vai", afirmou.

Número de mulheres habilitadas para dirigir caminhões cresce seis vezes mais que o de homens em SP — Foto: Detran-SP

Motorista de ônibus, Marta Maria afirma que ser mulher na profissão ainda é um desafio.

"Ser mulher motorista de ônibus é um desafio grande. Preconceito, adversidades. Os homens aceitam e não aceitam", contou. Ela relata que ainda ouve comentários como "tinha que ser mulher" e "vai pilotar fogão", mas diz receber muitos elogios dos passageiros.

Em entrevista ao SP1, Marta diz que as mulheres têm o direito de fazer o que quiserem.

"O lugar da mulher é onde ela quiser e fazendo o que quer. Com segurança e autoestima. Inclusive no ônibus."

Caminhoneira diz que encontrou na estrada seu lugar

Há 15 anos dirigindo caminhão, Noemy Santos decidiu ingressar na profissão depois de criar os filhos. Ela praticamente mora no próprio caminhão durante as viagens e afirma que passa até 60 dias seguidos na estrada.

"Eu não me sinto solitária aqui, eu me sinto completa. A vida é na estrada. Não tem coisa melhor", afirmou.

Segundo ela, a profissão era ainda mais difícil quando começou e reforça que assim como Marta teve que vencer o preconceito.

"Quando eu comecei, tinha muita resistência. Colocavam graxa na porta do meu caminhão para me deixar irritada."

Além do preconceito, Noemy aponta problemas de infraestrutura nas estradas. Em alguns postos de combustível, segundo ela, homens e mulheres precisam o mesmo banheiro na hora de tomar banho.

Mesmo diante das dificuldades, afirma que não pretende deixar a profissão.

"Esta é minha vida. É o que eu gosto de fazer realmente. Não me vejo fazendo mais outra coisa. Eu não sou árvore. As minhas raízes têm que sair andando, procurando rumo."

Setor ainda enfrenta desafios

Segundo Camila Florencio, gerente de comunicação do Sindicato das Empresas de Transportes de São Paulo, o crescimento da participação feminina exige adaptações por parte das empresas e do setor.

Entre os desafios apontados estão a criação de banheiros e alojamentos exclusivos para mulheres, adequação de uniformes, melhorias na infraestrutura das estradas e mudanças culturais.

Outro obstáculo é a exigência de experiência profissional para contratação, o que dificulta o ingresso de mulheres recém-habilitadas. A entidade afirma que é importante preparar as equipes para receber novas motoristas e evitar que talentos sejam perdidos em razão de assédio, preconceito ou da falta de oportunidades.