Sem experiência política e adotada pelo irmão que vai agora substituir. Quem é Darline Graham Nordone, nova senadora republicana?

Pela primeira vez desde que nasceu, Darline Graham Nordone está a desempenhar um cargo político. Não tem qualquer experiência neste mundo, mas foi a sombra do seu irmão, Lindsey Graham, durante muitos anos. Agora, após a sua morte, foi escolhida para o substituir no cargo de senador do estado da Carolina do Sul — e é a primeira mulher a fazê-lo. A sua tomada de posse foi esta terça-feira.

Darline Graham Nordone tinha 13 anos quando ficou órfã de mãe e pai. A mãe morreu com linfoma de Hodgkin quando tinha 11 anos e dois anos depois morreu o pai, com um ataque cardíaco. À época, o seu único irmão, Lindsey Graham, estava na universidade a tirar um curso superior.

Inicialmente Darline ficou a cargo dos seus tios, mas depois de Lindsey terminar o curso e assinar contrato com a Força Aérea dos EUA, foi uma questão de tempo até conseguir tornar-se o guardião legal de Darline. Mais tarde adotou a irmã, garantindo que esta poderia usufruir dos seus benefícios enquanto militar, escreve o The Guardian.

Nove anos separavam os dois irmãos, mas nem isso foi um entrave à criação de uma relação próxima. Darline e Lindsey cresceram juntos, numa casa com apenas um quarto localizada nas traseiras de um bar. Mais tarde viveram numa caravana e, depois, numa casa. Foi Lindsey quem a ensinou a andar de bicicleta. E ensinou-a também a escrever o nome — ainda que de forma errada. O nome que surge na certidão de nascimento da senadora é “Darlene”, com um “e”, mas a própria continua a manter-se fiel ao que aprendeu com o irmão e assina com “i”.

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Licenciada em Sociologia em 1989 na Universidade de Charleston, Darline chegou a frequentar a Universidade da Carolina do Sul em 2007 e 2008, mas não obteve qualquer formação extra. Casou, teve dois filhos e ao longo da sua vida dedicou-se a trabalhar com pessoas com deficiência, ajudando-as a encontrar empregos. Mas a par disto, ainda encontrou espaço para ajudar o irmão a navegar a política norte-americana.

Lindsey Graham candidatou-se pela primeira vez à Câmara dos Representantes da Carolina do Sul em 1992. E Darline foi de porta em porta conquistar apoio junto do seu irmão. Em 2014, Lindsey quis concorrer a um terceiro mandato do Senado e Darline contribuiu para a campanha do irmão ao partilhar, no âmbito de uma estratégia de marketing, a história de como tinha sido ele o responsável por a criar.

Um ano depois quis entrar na corrida para as Presidenciais e Darline aproveitava para dizer que o seu irmão nunca a “desapontou”. “Esteve ao meu lado em momentos maravilhosos, esteve lá em muitos momentos especiais na vida dos meus filhos e esteve ao meu lado em momentos muito difíceis.”

Numa entrevista em 2015 citada pelo Washington Post, Lindsey retribuiu o voto de confiança à irmã. Afirmou que, caso fosse eleito Presidente dos EUA, Darline poderia desempenhar o papel de primeira-dama. “Qualquer coisa que lhe peça, ela faz, e se ela assumir um cargo qualquer, ela será uma ótima representante do país”, disse à época.

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Mais de uma década depois, as palavras de Lindsey podem agora ser postas à prova. O antigo senador morreu no passado sábado aos 71 anos, vítima de “doença súbita”. Dois dias depois, Donald Trump escrevia na rede social Truth que tinha recomendado ao governador da Carolina do Sul que nomeasse a “magnífica irmã” de Lindsey para o substituir no cargo.

Segundo a lei da Carolina do Sul, o governador pode nomear imediatamente um substituto temporário para completar o mandato de um senador que fique impossibilitado de o exercer. Em conferência de imprensa, Henry McMaster assim o fez: anunciou ter escolhido Darline Graham Nordone, de 62 anos, para assumir o cargo de senadora até ao fim do mandato em Washington, substituindo o seu irmão.

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