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Sétimo episódio de "A Nossa Cultura" em Santa Comba Dão. Estamos no NMAO, o Núcleo Museológico de Artes e Ofícios. Temos estado na companhia de Manuel dos Santos, que fez 14 retratos de compositores, nomes esses incontornáveis da história da música. Neste episódio, vamos olhar para os três compositores franceses que estão aqui expostos. Primeiramente, olhamos para Saint-Saëns, autor, entre outras obras, de "O Carnaval dos Animais". Estamos aqui novamente perante um homem com uma vasta barba, Manuel. Há alguma coisa que destaque neste retrato? E pergunto-lhe também se há algum motivo para esta escolha destes franceses. Eram os tais que apareciam na coleção de CDs que ofereceram. Fale-me um pouco sobre este retrato.
Este retrato, como salientou, é um retrato com uma personagem com uma barba muito grande e com o seu fato na mesma, tem o seu lacinho à frente dele e que representa o estilo francês. É o bigode grande e o seu cabelo, estrutura média, pequena, com a sua expressão um bocado expressiva também.
Falamos de um homem que nasceu em 1835, acabou por falecer em 1921, francês, e nós, Manuel, vamos olhando aqui para as obras da sua autoria e eu fico curioso com quantas obras terá o Manuel em casa. Tem ideia? Entre obras a carvão e outros estilos, que também já me explicou que por vezes faz, quantas obras terá o Manuel em casa?
Entre carvão e acrílico, que é pintura acrílica, tem cerca de 100, mais ou menos. 100, cento e poucas.
Explique-me um pouco a técnica do acrílico, que não é o caso desta exposição onde nos encontramos, mas é uma técnica que o Manuel também gosta.
Sim, a técnica acrílica é mais fácil para mim do que a de carvão, porque na técnica de acrílica aplica-se a tinta em cima da figura ou da expressão de cada um e depois se tiver algum problema, pode retocar e pode pintar novamente. No caso, este não é preciso estar tempo nenhum à espera para secar. E aquele, durante duas horas não se pode pintar enquanto tiver a secar.
É um processo com mais fases, mais trabalhoso, é?
Exatamente, é mais fases e tem que se deixar secar. A não ser que a gente pinte um lado e depois vá pintando o outro lado e vamos fazendo assim por fases.
E ao contrário destes, que o Manuel pinta primeiro, desenha primeiro num papel e depois é que passa para a tela, aí trabalha diretamente na tela?
Não, faço na mesma o desenho e depois é que é pintado.
Vamos dando uns passinhos aqui no NMAO, vamos para o primeiro andar, e diga-se que é um espaço que também tem acessibilidades para pessoas de mobilidade reduzida, isto porque nós vamos neste momento pela rampa para olharmos para Claude Debussy, outro francês que, olhando assim, de repente parece o mais jovem de todos os artistas. Tem essa ideia, Manuel?
Sim. É uma figura mais jovem, que tive o prazer de projetar nesta tela em carvão, e que tem a sua expressão também, um bocado mais rude, mas que continua a ser um francês com alguma categoria no seu fato, na sua gravata e na barba expressiva que ele tem, na pêra. E no seu bigode também muito pequeno e nas sobrancelhas também sobressai.
Falamos de Debussy que, mais uma vez, é aqui a prova de que através do olhar e da maneira como o Manuel retrata estas figuras, transparece sempre uma emoção, a de uma pessoa mais alegre ou mais chateada. O que acha de Debussy neste caso? Que estado de espírito é que transmitiu ao pintá-lo?
Eu acho que ele tem uma expressão muito dele própria, que é uma expressão fixa no que ele tem à frente e que realmente realça a sua figura e o seu estado de estar.
E no caso, já conhecia a música destes compositores franceses ou a primeira vez que teve contato com eles foi também quando ofereceram os tais CDs, recordo a quem nos está a ouvir, isto porque Manuel dos Santos, para esta exposição, baseou-se na capa de CDs destes artistas que decidiu retratar. E enquanto pintava os quadros, ouvia a música. No caso destes franceses, teve o primeiro contato com a música nos CDs.
Sim, alguns deles eu já ouvia a música deles, porque é uma música muito suave e eu gosto de ter uma música baixinha e que me dê aquela atitude de estar bem. E se estiver a pintar, ainda melhor. Então foi aí que eu realmente recebi estes CDs com agrado e que até hoje ainda os tenho, ainda de vez em quando os ponho.
Muito bem, vamos aqui dar mais uns passinhos para fechar o capítulo de compositores franceses, para olharmos para Saint-Georges. Julgo que é assim que se diz. Este é provavelmente um dos nomes menos conhecidos do público geral. Ainda assim, além de compositor, Manuel, e violinista, foi também um exímio esgrimista. Fica aqui esta curiosidade para quem nos ouve. Já tinha esta ideia deste ser um compositor menos conhecido e ainda assim quis incluí-lo?
Sim, este é um compositor que me deu agrado em fazer porque a sua figura também me realça muito e o seu vestir também diferente quase dos outros e que tem uma cor mais para o asiático. E que me deu o prazer de o fazer também.
Sim, de facto, tem uns traços diferentes. Tem, por exemplo, um longo pescoço. Voltamos a ver aqui também o cabelo clássico da época, mas lá está, como o Manuel referia, e bem, parece um homem que se arranjava mais que os outros, tinha esse cuidado.
Sim, ele tem um aspecto de ser um tipo galã.
Sim. Muito bem. Fechamos com esta ideia, que poderia eventualmente ser um tipo galã, como diz aqui Manuel dos Santos, e é assim que fechamos este episódio dedicado aos três compositores franceses representados nesta exposição, mas ainda vamos regressar para mais dois episódios aqui no NMAO, em Santa Comba Dão. A visita aos desenhos de Manuel dos Santos continua já no próximo episódio de "A Nossa Cultura" e continua em exposição aqui até ao dia 30 de setembro.