A Rússia construiu dez bases secretas de lançamento de drones de longo alcance capazes de atacar territórios da NATO que se situam na fronteira da Rússia com a Bielorrússia e a Ucrânia e em territórios ucranianos ocupados por Moscovo. Esta é a conclusão de uma investigação do jornal britânico The Telegraph.
Fontes dos serviços secretos europeus e norte-americanos contactadas pelo jornal “acreditam que a Rússia está a admitir levar a cabo uma provocação armada em solo polaco, ataques com mísseis ou drones contra infraestruturas críticas, ou ataques de falsa bandeira atribuídos à Ucrânia“. Apesar de não haver indícios do planeamento de um ataque concreto, os líderes da NATO estão a preparar-se para essa possibilidade. “[A NATO está] pronta para defender cada centímetro do seu território [e continuar a] aprimorar a nossa prontidão para dissuadir e defender-nos de qualquer ameaça, inclusive de drones”, sublinhou um funcionário da organização ao The Telegraph.
Ao todo, foram identificadas pelo menos 59 novas plataformas de trilhos de lançamento nas dez bases, através de documentos obtidos pelo jornal e por imagens de satélite. Destas, cerca de 20 foram criadas de raiz em áreas rurais da Rússia e possuem um grande comprimento, para lançar ataques de longo alcance. Outras foram reaproveitadas a partir de aeroportos civis e bases militares.
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As dez bases foram abastecidas por fábricas de munições, “incluindo a zona económica especial de Alabuga, um complexo russo de construção de drones que produz 6.000 unidades por ano” e que foi expandido em 2025. Sete delas foram usadas em ataques recentes contra a Ucrânia, refere o The Telegraph.
Uma das bases localiza-se em Kursk, uma das cidades mais atacadas pelas forças ucranianas e que foi ocupada por Kiev em agosto, antes de ser reconquistada pela Rússia, com a ajuda de soldados norte-coreanos, em março de 2025. Outras três localizam-se em territórios ucranianos ocupados por Moscovo — duas bases na Crimeia e uma terceira no aeroporto de Donetsk.
A Rússia tem desenvolvido versões mais avançadas do drone iraniano Shahed, que permite atingir alvos a cerca de mil quilómetros de distância, sendo possível chegar até Varsóvia, capital da Polónia. No entanto, o Kremlin alega que as suas versões mais antigas podem também atingir o Reino Unido, apesar de tal ser improvável, devido às capacidades britânicas de interceção.
“[A Rússia] expandiu significativamente [a produção de drones para] atacar a Ucrânia e manter os Estados da NATO sob risco de tais ataques”, avisa Mike Monnik, diretor executivo e fundador da DroneSec, empresa de análise de dados de drones. Monnik afirma também ao The Telegraph que a expansão dos locais de lançamento “mostra como a Rússia ampliou a sua capacidade de lançar um número maior de drones, ao mesmo tempo que utiliza tecnologia para tornar os tipos de drones usados mais difíceis de intercetar”.