Saguis invadem mercado no litoral de SP; VÍDEO | G1

O caso ocorreu na unidade do Extra no bairro Belas Artes. Um homem que mora nas proximidades registrou o momento em que os saguis se aproximaram dos caixas de autoatendimento. Segundo ele, os animais viraram a "atração" no mercado.

Procurada pelo g1, a rede Extra não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Segundo o morador, o estabelecimento fica próximo de uma área de mata e, no passado, esses animais costumavam aparecer no espaço onde ficam os carrinhos.

"Parece que o pessoal foi alimentando. [Os clientes] compravam bananas no mercado, e eles [os saguis] foram entrando. Agora estavam todos dentro do mercado", explicou o morador, que preferiu não ser identificado.

Saguis foram vistos em mercado de Itanhaém — Foto: Arquivo Pessoal

Riscos

Ao g1, os biólogos Ricardo Samelo e Isabelle Nunes explicaram que a interação dos saguis com os seres humanos requer cuidado, pois são animais transmissores de doenças, como a raiva.

"Apesar de parecerem inofensivos, eles podem morder, possuem dentes afiados que perfuram bem”, afirmou Samelo. Ele disse que o ideal é não tocar nem alimentar os animais. "São inteligentes e associam a alimentação com locais de presença humana, como no caso do mercado”.

Segundo o especialista, a presença dos saguis no mercado acende alertas para a possibilidade de contaminação de alimentos que ficam expostos e que, posteriormente, serão consumidos pelos seres humanos.

"Podem contaminar de diversas maneiras: com urina, com fezes, mas principalmente com saliva. Às vezes é um alimento grande, que eles não levam embora, mas dão uma mordida, lambem, e aí pode contaminar com saliva. No que se refere ao vírus da raiva, ele está na saliva dos animais", explicou.

Saguis chamaram atenção em mercado de Itanhaém — Foto: Reprodução

Samelo acrescentou que os saguis também podem transmitir doenças pelo corpo. "Eles acabam frequentando alguns locais sujos, inadequados, e podem carregar esses patógenos nas patas, no pelo", comentou.

A bióloga Isabelle Nunes pontuou que, além dos riscos aos seres humanos, a interação urbana também pode causar prejuízo aos próprios animais. "É um risco à medida que, de repente, um animal doméstico pode atacá-los ou podem ser eletrocutados enquanto caminham nos fios."

Espécie invasora

Sagui-de-tufo-branco tem origem da Caatinga e distribui-se em todo o país — Foto: Ananda Porto / TG

De acordo com Nunes, os saguis são animais onívoros, ou seja, comem de frutas até ovos e carne, como filhotes de aves. Além disso, eles costumam conviver em grupos e, por isso, raramente são vistos sozinhos.

Segundo os especialistas, a espécie que visitou o mercado é considerada invasora na Baixada Santista. “A realidade é triste, apesar de serem animais bonitinhos e ‘carismáticos’, eles são considerados exóticos invasores em nossa região e nem deveriam estar por aqui”, afirmou Samelo.

O biólogo explicou que, por meio das imagens, é possível ver que o grupo se assemelha à espécie sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus). No entanto, não é possível saber se os animais pertencem a um grupo "híbrido" [união de duas espécies].

"Em nossa região, temos uma espécie de sagui nativa chamada de sagui-caveirinha (Callithrix aurita). Essa espécie está em declínio populacional e é classificada como em 'perigo de extinção'. No entanto, temos duas espécies que foram introduzidas: o sagui-de-tufo-branco e o sagui-de-tufo-preto (Callithrix penicillata)”, comentou.

De acordo com ele, todas as espécies possuem os mesmos hábitos e, por isso, competem pelos mesmos alimentos e ambientes, aumentando o risco de extinção do sagui-caveirinha.

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