Sarampo: entenda os riscos da doença que pode ser evitada com vacina | G1

➡️O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que pode causar consequências graves, como pneumonia e inflamações no cérebro, deixar sequelas permanentes e até levar à morte.

A doença é transmitida de pessoa para pessoa pelo ar, por meio de tosse, espirro, fala ou respiração.

Renato Kfouri, médico infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o vírus é altamente transmissível, especialmente porque sobrevive em partículas muito pequenas no ambiente.

"Como não há um tratamento específico para a doença, a vacina se torna a ferramenta principal para a profilaxia e para a prevenção", recomenda.

Quais são os riscos e complicações?

Embora possa ser confundido inicialmente com outras doenças virais, o sarampo é considerado pelo Ministério da Saúde uma doença grave.

Alberto Chebabo, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), alerta que principalmente as crianças pequenas, menores de um ano, e os pacientes imunossuprimidos são os mais suscetíveis a enfrentarem consequências mais graves do sarampo.

⚠️Entre as possíveis complicações estão:

  • Pneumonia
  • Otite média aguda (infecção no ouvido)
  • Encefalite (inflamação no cérebro)

A pneumonia ocorre em cerca de uma a cada 20 crianças com sarampo e é apontada pelo ministério como a causa mais comum de morte pela doença entre crianças pequenas.

Já a otite média aguda atinge aproximadamente uma em cada 10 crianças e pode provocar perda auditiva permanente.

A encefalite aguda é um efeito mais raro, podendo acontecer entre uma e quatro a cada mil crianças com sarampo. Cerca de 10% das crianças que desenvolvem essa complicação podem morrer.

Renato Kfouri, que também é pediatra, destaca que outra complicação importante do sarampo são as consequências pós-doência, que acontecem mesmo depois da recuperação.

"O sarampo deixa o que nós chamamos de uma amnésia imunológica, ou seja, durante três a seis meses até, você vê os indivíduos que foram cometidos pelo sarampo mais vulneráveis a internações, a hospitalizações, a outras infecções", explica.

Isso significa que a doença deixa uma espécie de alteração no sistema imunológico, mantendo uma baixa da imunidade durante um período após a infecção aguda.

Ele ainda comenta que o sarampo é uma infecção que acaba gerando um alto nível de internações, especialmente entre crianças.

A doença também pode ser fatal. De acordo com o Ministério da Saúde, entre uma e três a cada mil crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações do sarampo.

Sintomas do sarampo

O sarampo pode voltar a circular no Brasil? — Foto: Adobe Stock

Os principais sinais da doença são febre alta, acima de 38,5°C, e manchas vermelhas pelo corpo. Esses sintomas mais tradicionais do sarampo também podem vir acompanhados de tosse seca, conjuntivite e mal-estar intenso.

As manchas costumam surgir entre três e cinco dias depois do início dos sintomas, primeiro no rosto e atrás das orelhas e, depois, espalham-se pelo restante do corpo.

Kfouri comenta que a evolução da doença acontece, normalmente, em um prazo de uma semana, quando se espera uma melhora do caso. Mas, em alguns quadros, há complicações que podem levar a infecções e outros problemas mais graves.

A persistência da febre depois do aparecimento das manchas é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de cinco anos.

A indicação do Ministério da Saúde é que, ao apresentar qualquer um desses sintomas, a pessoa busque um serviço de saúde.

Vacinação é essencial

Como para boa parte das doenças infecciosas que atingem o público infantil, a principal forma de prevenção é a vacinação.

Segundo o Ministério da Saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação para receber a vacina contra o sarampo.

💉O Calendário Nacional de Vacinação estabelece que os bebês devem ser imunizados com a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), aos 12 meses, com a segunda dose sendo aplicada aos 15 meses.

Adolescentes e adultos que não foram vacinados ou estão com o esquema incompleto devem iniciar ou completar a vacinação também conforme o calendário de imunização – de 5 aos 29 anos, são recomendadas ao menos duas doses e, dos 30 aos 59 anos, pelo menos uma dose.

A vacinação pode ter estratégias diferentes de acordo com a situação epidemiológica de cada região. Em locais com surto, por exemplo, crianças de seis meses a menores de um ano podem ser vacinadas, como foi indicado pelo ministério a São Paulo.

"Quanto mais vacinados nós tivermos, eles acabam funcionando como barreira e impedindo a disseminação do vírus. Sem organismos suscetíveis à infecção, as cadeias de transmissão vão se encerrando", analisa Kfouri.