O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, confirmou hoje à Lusa que não há vítimas portuguesas nos incêndios em França e Espanha, segundo as informações recolhidas até agora pela diplomacia portuguesa.
Questionado o secretário de Estado sobre a situação dos emigrantes portugueses relativamente aos incêndios que estão a afetar França e Espanha, o governante respondeu que, em ambas as situações, a rede diplomática e consular não recebeu qualquer pedido de ajuda.
"O Consulado Geral de Portugal em Bordéus está a funcionar normalmente, tendo recebido já vários utentes durante a manhã para pedido de documentos/procurações, não tendo havido outras solicitações de urgência, nomeadamente via telefone de emergência ou Gabinete de Emergência Consular", referiu, numa resposta enviada por escrito.
"Relativamente a Espanha, adiantamos que o Gabinete de Emergência Consular não recebeu qualquer contacto de emergência proveniente das áreas afetadas pelos incêndios nessa região", acrescentou o secretário de Estado.
O Governo, referiu, está e continuará a acompanhar a situação "com toda a atenção".
Cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento devido ao fogo que ameaça várias regiões perto da cidade francesa de Bordéus, disse esta manhã à Lusa o conselheiro português Filipe Dantas.
O fogo de grandes proporções obrigou à retirada de 220 mil pessoas, entre as quais cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes, que residem essencialmente em Le Porge, uma comuna francesa na Gironda, onde o fogo queimou várias casas.
Foram também transferidos portugueses e lusodescendentes que vivem em Ares, Marcheprime, Mios, Cestas, Biscarrosse, Le Haillan e Saint-Médard-en-Jalles.
Estes portugueses e lusodescendentes foram transferidos para o Centro de Exposições de Bordéus.
O consulado português em Bordéus também tem acompanhado o fogo e o impacto na comunidade e que, para já, não há registo de vítimas e que os danos materiais não estão contabilizados, disse.
Segundo Filipe Dantas, as autoridades portuguesas têm seguido a situação e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, já falou telefonicamente com o conselheiro.
O incêndio em França começou na quarta-feira na região turística da Baía de Arcachon e desde sexta-feira que portugueses e lusodescendentes estão a ser transferidos para centros de acolhimento.
No total, este ano foram já queimados em França 115 mil hectares de terrenos, um máximo histórico, confirmou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, na última noite.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, preside hoje a uma reunião de crise para avaliar a situação dos incêndios florestais no país.
Relativamete a Espanha, os incêndios continuam a afetar várias regiões, incluindo os arredores de Madrid e a Comunidade Valenciana, tendo provocado a retirada de cerca de 76 mil pessoas e o confinamento de outras 30 mil.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que os incêndios refletem "uma emergência climática que está a tornar os incêndios florestais ainda mais violentos e as ondas de calor mais frequentes".
Segundo o Governo espanhol, um incêndio na província de Ávila tornou-se o maior alguma vez registado no país, tendo já destruído cerca de 50 mil hectares, enquanto a área ardida em Espanha este ano ascende a 153 mil hectares.
NYC (SMM/RJP) // ANP
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