Segundo dia de Xi Jinping nos EUA tem cooperação e IA como temas centrais | CNN Brasil

O segundo dia da visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos teve como temas centrais a cooperação entre Washington e Pequim e o desenvolvimento da inteligência artificial.

Xi e o presidente americano, Donald Trump, se reuniram na Casa Branca nesta quinta-feira (24), em uma cúpula marcada por declarações sobre a relação entre as duas potências, mas sem anúncios detalhados sobre questões como comércio, Taiwan e a guerra no Irã.

Após as conversas, Xi afirmou que os dois líderes tiveram discussões aprofundadas e chegaram a um "entendimento comum sobre muitas questões", o que proporcionou uma "nova orientação estratégica para as relações China-EUA". O presidente chinês, porém, não detalhou quais foram os entendimentos alcançados.

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Durante um jantar de Estado oferecido por Trump na Casa Branca, Xi defendeu que os dois países explorem uma nova abordagem para a convivência entre grandes potências.

"A China e os Estados Unidos devem agir como grandes potências responsáveis, atender às expectativas de nossos povos, acompanhar as tendências de nosso tempo e explorar uma nova abordagem para a convivência entre grandes potências", afirmou.

Trump também destacou a relação pessoal com Xi e disse que os dois países representam sistemas diferentes, mas mantêm vínculos entre seus povos.

"ambos entendem que representamos sistemas diferentes, mas os laços entre nossos povos perduram e nunca nos demos tão bem", afirmou Trump durante o brinde.

Inteligência artificial

A inteligência artificial esteve entre os principais assuntos da cúpula. Xi afirmou que China e Estados Unidos são líderes no desenvolvimento da tecnologia e que, apesar da competição, existe espaço para ampliar a cooperação.

"Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem, e de garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas", afirmou.

Xi também declarou que "embora exista competição entre as duas partes, há um potencial ainda maior para a cooperação".

O presidente chinês pediu que os dois países evitem uma postura de desconfiança mútua e trabalhem para impedir o uso indevido da tecnologia. Trump havia afirmado anteriormente que a IA seria um dos principais temas de discussão durante a reunião.

O jantar de Estado contou com a presença de executivos do setor de tecnologia, incluiondo Tim Cook, Jeff Bezos, Sundar Pichai, Sam Altman, Greg Brockman, Mark Zuckerberg e Jensen Huang.

Xi relembra momentos de cooperação

Durante o jantar de Estado, Xi relembrou momentos de intercâmbio e cooperação entre Estados Unidos e China ao longo dos 250 anos de história americana.

Após começar mencionando o interesse de George Washington em colecionar porcelana chinesa, ele abordou a cooperação entre as forças chinesas e americanas contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial, destacando uma "amizade forjada em sangue e fogo".

Xi então recordou a histórica visita do ex-presidente dos EUA, Richard Nixon, à China em 1972. O aperto de mão entre Nixon e o primeiro líder da China, Mao Tsé-Tung, marcou o início da normalização das relações sino-americanas.

"Como um rio que nunca para de fluir, a história nunca permanece estática", disse Xi, antes de pedir cooperação para o futuro.

"Vamos cultivar juntos as belas flores da amizade sino-americana. Vamos escrever juntos um novo capítulo em nossas relações amistosas", afirmou.

Ao final do discurso, Xi afirmou que a agenda Maga (Make America Great Again) do presidente dos EUA, Donald Trump, poderia coexistir com o objetivo de Xi de promover o "grande rejuvenescimento nacional" da China.

Ele declarou que "a China e os Estados Unidos devem agir como grandes potências responsáveis, atender às expectativas de nossos povos, acompanhar as tendências de nosso tempo e explorar uma nova abordagem para a convivência entre grandes potências".

Comércio e Taiwan

As relações comerciais também estiveram entre os assuntos da reunião. Xi afirmou que os interesses de China e Estados Unidos estão profundamente interligados e defendeu uma competição saudável entre os dois países.

O presidente chinês disse que empresas americanas são bem-vindas na China e pediu que empresas chinesas sejam tratadas de maneira justa nos Estados Unidos.

A questão de Taiwan também esteve entre os temas da cúpula. Xi pediu que os Estados Unidos se oponham à "independência de Taiwan", segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua.

A Casa Branca ainda não divulgou nenhum comunicado sobre o conteúdo da conversa envolvendo Taiwan.

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle da ilha. Trump havia dito, após sua visita à China em maio, que mantinha um pacote de armas estimado em cerca de US$ 14 bilhões como uma possível "moeda de troca" nas negociações com Pequim.

Guerra no Irã

A guerra no Irã também esteve entre os assuntos discutidos pelos presidentes. Xi defendeu o retorno a um cessar-fogo e a realização de negociações de paz, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

A posição foi apresentada depois de Trump adotar um tom mais duro em relação ao conflito durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, o presidente americano afirmou que o Irã poderia enfrentar uma "aniquilação" caso não houvesse um acordo.

Presente de Trump

Durante o jantar, Trump presenteou Xi com uma estátua de uma águia-de-cabeça-branca.

A escultura, com cerca de 90 centímetros de altura e apoiada sobre um pedestal, foi criada por um artista americano em colaboração com Trump e a primeira-dama, segundo o presidente americano. A águia-de-cabeça-branca é considerada o símbolo dos Estados Unidos.

"A águia-de-cabeça-branca é um símbolo nacional dos Estados Unidos e a personificação do espírito livre e altivo da América", disse Trump.

"Esperamos que ela encontre um bom lugar, um lugar maravilhoso em Pequim", acrescentou.

(Com informações da CNN e da Reuters)