Seis obras de Messina roubadas na Sicília durante festa religiosa

Quatro obras do mestre renascentista Antonello da Messina, avaliadas em dezenas de milhões de euros, foram roubadas no sábado durante uma festa religiosa anual na sua cidade natal, na Sicília, anunciaram esta segunda-feira as autoridades.

Enquanto centenas de fiéis e curiosos assistiam, na Piazza Duomo de Messina, à procissão da Vara, por ocasião da Festa da Assunção, com medidas de segurança em vigor, o museu regional, a cerca de quatro quilómetros de distância da celebração, foi alvo do roubo, que faz recordar aquele que aconteceu há cerca de um ano no Louvre, em Paris, quando um bando fugiu com joias no valor de milhões de euros numa questão de minutos.

De acordo com a polícia, pouco antes das 22h00 de sábado (21h00 em Lisboa), três ou quatro pessoas, com os rostos cobertos por balaclavas, conseguiram entrar no museu e, em poucos minutos, roubar seis obras de Antonello da Messina, o mais importante pintor siciliano do século XV.

Duas das obras foram encontradas no exterior do museu, estimando a polícia que os assaltantes tenham abandonado as pinturas durante a fuga devido à presença de vários transeuntes naquele momento.

O Ministério Público de Messina abriu um inquérito por roubo agravado de obras de arte, atualmente contra desconhecidos, tendo o presidente da Região da Sicília, Renato Schifani, descrito o roubo como “um ato criminoso excecional” e “uma afronta intolerável ao património cultural universal”.

Já o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, expressando “consternação e pesar” pelo ocorrido, assegurou a “total disponibilidade” do governo para “cooperar com as autoridades regionais, que gerem os museus da ilha, dada a sua autonomia especial”.

Imediatamente depois de ter sido descoberto o roubo, a polícia montou postos de controlo nos terminais de ‘ferry’ com destino à Calábria no domingo à noite, mas, até ao momento, sem sucesso, desconhecendo-se se o bando conseguiu sair da Sicília ou se as obras-primas roubadas ainda se encontram escondidas algures na ilha.

Com a colaboração da Unidade de Proteção do Património dos ‘carabinieri’ (polícia militarizada), estão a ser seguidas várias linhas de investigação, sendo privilegiada a possibilidade de o roubo ter sido encomendado por um negociante de arte.

A polícia está também concentrada em perceber por que razão os quatro guardas de segurança presentes na altura no museu não intervieram quando os alarmes soaram, até porque as câmaras de videovigilância captaram todas as fases do roubo, como se verifica nas imagens recolhidas.

De acordo com as autoridades policiais, os guardas do museu só tomaram conhecimento do roubo quando as forças da ordem bateram à porta do edifício para determinar se as duas obras encontradas no exterior pertenciam à coleção de arte.

“Foi lançada uma inspeção interna para reconstituir cada passo e determinar qualquer responsabilidade imputável ao pessoal de segurança. O sistema de alarme e de videovigilância funcionou. Não será tolerada qualquer zona cinzenta”, advertiu o governador Schifani.

Este caso ocorre apenas três dias depois de a polícia italiana ter anunciado que recuperou três quadros, roubados em março passado de um museu de Parma (norte), da autoria de Cézanne, Renoir e Matisse, num valor estimado de nove milhões de euros.