Sem milhões e sem apoios. Os caminhos que podem levar ao fim de Infantino

A criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo (entre elas, o Campeonato do Mundo), caiu, de uma vez por todas, por terra, face ao repúdio de UEFA, CONCACAF e AFC.

Sem votos suficientes para levar o plano avante, Gianni Infantino não teve alternativa a não ser recuar num projeto que, de acordo com as mais recentes informações veiculadas pelo jornal britânico The Times, faria com que o seu atual ordenado anual, de 4,8 milhões de dólares (4,2 milhões de euros), 'disparasse' para... os 30 milhões de dólares (26 milhões de euros).

Este seria o resultado final do plano delineado pelo advogado suíço-italiano, que passava por liderar a FFE sem qualquer tipo de limitação de mandatos, ao contrário do que acontece no organismo que rege o futebol internacional, onde só tem a possibilidade de se candidatar a mais um, com visto ao período de 2027 a 2031.

A reeleição no cargo (que ocupa já desde fevereiro de 2016) está, de resto, neste momento, em risco. Sem o 'amparo' destas três confederações (a CONMEBOL, a OFC e a CAF não chegaram a tomar uma posição definitiva), que abrangem mais de metade das 211 federações-membro da FIFA, nada garante que obtenha o número de votos necessários para evitar a queda.

Os três caminhos para o fim de Gianni Infantino na FIFA

Neste momento, o caminho mais rápido para o final do 'reinado' de Gianni Infantino na FIFA passaria... pela demissão, num cenário semelhante àquele que preconizou o seu antecessor, Sepp Blatter, em 2015, quando se viu investigado pelas autoridades norte-americanas, no âmbito de um escândalo de corrupção.

A queda do suíço-italiano também pode dar-se pela mão do próprio Conselho da FIFA. Neste caso, tal como relata a estação televisiva britânica BBC Sport, seria necessário que, pelo menos, 19 dos seus 37 membros convocassem uma reunião de emergência com o objetivo expresso de apelar à sua demissão.

Um cenário de difícil concretização, visto que estes membros (nove da UEFA, sete da AFC, seis da CAF, cinco da CONCACAF, cinco da CONMEBOL, três da OFC e ainda o próprio secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom) não deram qualquer indicação de pretenderem causar um 'sismo' desta dimensão.

A terceira via passaria pela convocação de um Congresso Extraordinário da FIFA, um processo que demoraria entre dois a três meses, e para o qual só seria preciso a aprovação de um quinto das federações-membro (isto é, 43). Aí, 106 destas associações teriam de juntar-se para aprovar uma moção de censura, que o derrubaria sem margem para dúvidas.

Os potenciais 'herdeiros'

Caso nenhuma destas três hipóteses venha a concretizar-se, restará aguardar pelas eleições para a presidência da FIFA, que estão agendadas para março de 2027, sendo que o período para a apresentação de candidaturas termina já no próximo dia 18 de novembro, o que dá uma margem de pouco mais de três meses.

Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Associação de Clubes Europeus, tem sido o nome mais badalado, mas permanece hesitante em aceitar o desafio. Na calha permanecem, ainda, nomes como Victor Montagliani ou Sheikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, que lideram, respetivamente, CONCACAF e AFC.

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